BJ8 - Novoperfil Portugal

ENTREVISTA 66 PERFIL demonstrar é que uma casa não será mais cara por ser ou não ser Passive House. Ou melhor, não é por ser Passive House que um edifício terá obrigatoriamente de ser mais caro. Esta otimização do custo-benefício depende da inteligência incorporada no projeto, daí a necessidade de termos cada vez mais projetistas, em particular arquitetos, com estas competências. QUATRO EDIFÍCIOS CERTIFICADOS E SEIS EM PROCESSO AVANÇADO DE CERTIFICAÇÃO Quantas Passive Houses certificadas existem em Portugal? Existem quatro edifícios certificados e seis em processo avançado de certificação. À semelhança do que ocorre a nível internacional, os edifícios certificados representam uma pequena fração de todas as Passive Houses. O processo de certificação representa a garantia do cumprimento de todos os requisitos, com a verificação por parte de certificador acreditado pelo Passivhaus Institut. É um processo que acompanha as fases de projeto e de construção, sendo por isso muito longo e exigente. Mas é a certificação que permite separar o trigo do joio. Como olha hoje para as políticas do País emmatéria de descarbonização e eficiência energética a nível das várias indústrias? Achamos que falta um plano para a transição total do parque edificado para níveis de elevado desempenho, e como tal não há metas mensuráveis claras nem um pensamento estruturado sobre como alcançar essas metas. Assistimos também a muitas contradições. Temos por parte dos fabricantes a capacidade de disponibilizar produtos e componentes de excelente desempenho e com ótimo custo-benefício mas ainda alguma dificuldade em obra na sua aplicação e instalação, como é o caso gritante da instalação das janelas. Temos a legislação que é produzida para deixar tudo na mesma, como o caso dos nZEB, adiando a necessária transformação. Vemos também na ELPRE – Estratégia de Longo Prazo para a Renovação dos Edifícios o objetivo de ter todo o parque edificado reabilitado em 2050 mas sabemos que Portugal é o país da União Europeia onde as intervenções de reabilitação menos contribuem para a melhoria do desempenho energético. Por tudo isto, e mesmo sabendo que é ambicioso, procuramos com a rede Passive House trabalhar para a convergência neste objetivo de termos Passive House para todos, independentemente daquilo que é definido por via regulamentar ou pelas metas europeias. Na Europa, por exemplo, qual o país (ou países) exemplo(s) emmatéria de Passive House e onde o conceito já é amplamente utilizado? Para além da Alemanha, onde surgiram as primeiras Passive Houses e onde está sediado o Passivhaus Institut, porventura os países com maiores avanços ao nível da implementação da Passive House sejam o Reino Unido e a Espanha. Tem havido nestes países uma aposta muito relevante e transformadora que é na habitação social e de custos controlados, com muitos exemplos de investimento público em edifícios e empreendimentos Passive House para estes programas. Existem também os estados ou regiões que já adotaram há mais de meia dúzia de anos o desempenho passivo ou mesmo Passive House como o standard de cumprimento obrigatório, como o Luxemburgo, a região de Bruxelas ou a cidade de Frankfurt, por exemplo. Fale-me um pouco do trabalho da Associação Passivhaus Portugal e do trabalho que tem desenvolvido em Portugal. O foco do trabalho da Associação Passivhaus Portugal nestes 10 anos esteve e continuará a estar no fortalecimento e crescimento da rede Passive House no País e na divulgação e disseminação do conceito. A rede Passive House assenta sobretudo na relação com os fabricantes e marcas, na capacidade instalada ao nível de técnicos, consultores e projetistas, que possibilite a construção de Passive Houses em qualquer parte do País, e na relação com a academia onde foram estabelecidos protocolos com algumas universidades, faculdades e departamentos e já com resultados. Ao nível da divulgação e disseminação do trabalho, tem passado desde o início em disponibilizar o máximo de informação de qualidade no nosso site de forma totalmente livre e acessível a todos. Falamos, por exemplo, de todo o conteúdo das conferências, seminários e workshops, da base de dados de soluções construtivas dos parceiros da rede, ou das muitas dezenas de artigos do blog. E vamos ter outras novidades muito em breve. n nZEBoffice+, Ílhavo.

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