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As proteções solares são para levar a sério

Nuno Simões | Supervisor Técnico e Científico do Itecons Professor Associado da Universidade de Coimbra22/09/2022
As proteções solares móveis são soluções construtivas que merecem a maior das atenções por parte de todos os agentes da construção, para o bem dos utilizadores. É verdade que, no desenho dos edifícios, os arquitetos as podem dispensar. É certo que os projetistas, em particular os responsáveis pelo desempenho energético e iluminação, podem cumprir requisitos sem as considerar... Mas, ao fazê-lo, talvez estejam a hipotecar o conforto dos utilizadores e a onerar o proprietário com mais consumos de energia. E, o consumo de energia, com a escalada de custos, é algo que não se pode ignorar.
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É importante começarmos por perceber que as proteções solares podem ter impacto nos seguintes aspetos (o ‘podem’ aplica-se porque vai depender do tipo de proteção solar, da sua posição, das suas caraterísticas, etc.):

  • Na arquitetura do edifício;
  • No desempenho térmico, quer no controlo dos ganhos solares, quer na redução da transmissão de calor, já que pode cumprir também o papel de dispositivo de oclusão noturna;
  • Na luminotecnia dos espaços;
  • No comportamento acústico;
  • No reforço da proteção contra intrusão;
  • Na estética do ambiente interior dos espaços;
  • Na possibilidade de integração de sistemas fotovoltaicos;
  • Na resistência ao vento do vão envidraçado;
  • Na proteção das superfícies aos raios ultravioleta;
  • No controlo da entrada de luz para evitar brilhos excessivos e riscos de encadeamento.

Tendo então por base as várias vertentes da função de uma proteção solar, é também importante refletirmos que a eficácia de um dispositivo de proteção solar depende de vários fatores, nomeadamente:

  • do seu tipo (cortina, estore, persiana, portada, etc.);
  • das propriedades térmicas e óticas dos materiais que a compõem;
  • das caraterísticas do vidro;
  • do grau de ventilação que permite;
  • da localização geográfica do edifícios;
  • da orientação do vão a que está associado;
  • da altura ao solo a que está instalada (em pisos superiores é sujeito a ações de vento mais severas);
  • da existência de outros elementos de sombreamento como palas ou obstruções do horizonte.
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Note-se que a seleção do vidro também fica igualmente condicionada pelo tipo de dispositivo escolhido, quer devido ao impacto que a proteção solar pode ter nas propriedades térmicas e óticas do conjunto, quer em termos de solicitação mecânica que os vidros podem ter por efeito térmico. Por exemplo, uma proteção interior pode levar a um sobreaquecimento do vidro que no momento da sua seleção deverá ser tido em conta.

Porque não é do conhecimento generalizado, é conveniente referir que a regulamentação associada ao Sistema Nacional de Certificação Energética, obriga à verificação de um requisito que consiste em observar que não se ultrapassa o fator solar máximo definido em função da zona climática do local de implantação do edifício e da classe energética do mesmo (no caso de edifícios residenciais). Interessa ainda realçar que esse requisito é tanto mais exigente (obrigando a que se garantam fatores solares mais baixos) quanto maior for a área envidraçada a servir determinado compartimento. Note-se que no exercício de verificação destes requisitos tem-se em conta a combinação do impacto do vidro e dos vários dispositivos de sombreamento que possam existir. O que interessa é o potencial de controlo solar instalado. É preciso entender que este requisito, proposto em 2013, tem como objetivo reduzir o risco de sobreaquecimento. Este risco é efetivo e tem sido crescente a preocupação por parte dos proprietários de habitações novas.
A título de exemplo, uma persiana instalada pelo exterior pode assegurar fatores solares na ordem dos 0.04 e é uma solução que garante o cumprimento dos requisitos na grande maioria dos casos. Mas, por questões arquitetónicas, esta é uma opção cuja prescrição está a ser abandonada, dando-se preferência a soluções de sombreamento pelo interior. Realce-se que, caso essa mesma persiana seja instalada pelo interior, o fator solar altera-se para 0.4 quando conjugada com um vidro normal incolor. Isto significa que 40% da energia solar incidente no vão envidraçado transmite-se para o interior. Esta opção poderá já não verificar o regulamento, mas mesmo que verifique marginalmente, não vai assegurar um pleno conforto térmico. Este exemplo, é útil para que possamos perceber que a seleção de uma proteção solar carece de um exercício de multicritério. Se olharmos para a listagem dos critérios apontados acima pode-se arriscar dizer que:
  • Arquitetonicamente não é uma opção consensual;
  • Em termos térmicos garante um reforço de resistência à transmissão de calor, o qual não é nada desprezável na melhoria de comportamento térmico do vão envidraçado;
  • Quanto ao controlo solar tem o impacto referido anteriormente, cujo realce vai para a diferença de comportamento em função da posição (interior ou exterior) e naturalmente em função da percentagem de abertura;
  • O impacto luminotécnico não é de desprezar porque o dispositivo na posição de parcialmente fechado vai reduzir severamente o grau de iluminação natural, obrigando à utilização de iluminação artificial;
  • Em termos acústicos, como a instalação convencional torna a fachada menos estanque, a solução é suscetível a transmissões parasitas, comprometendo o isolamento a sons aéreos da fachada;
  • A instalação referida no ponto anterior também impacta nas infiltrações de ar, o que deve ser avaliado em detalhe no estudo de ventilação;
  • Já na proteção contra intrusão, o contributo existe, mas não é determinante. Poderá, no entanto, apontar-se a vantagem do seu uso na garantia da privacidade, sempre que necessário;
  • Na estética do ambiente interior dos espaços, repete-se a ideia de que talvez não seja uma opção consensual;
  • Existe grande potencial na proteção das superfícies aos raios ultravioleta, assim como no controlo da entrada de luz para evitar brilhos excessivos e riscos de encadeamento.

Admitindo outras opções de sombreamento considera-se desejável fazer uma análise comparativa tendo por base, pelo menos, os critérios listados acima. Naturalmente, o custo vai ser de extrema importância na decisão final e, com o crescimento da preocupação ambiental, vamos estando gradualmente mais atentos.

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Foto: Archi Expo.

Em nota de conclusão, as proteções solares devem ser levadas muito a sério. Elas fazem parte da solução para tornar os nossos edifícios mais resilientes, mais adaptados às alterações climáticas, com maior potencial para serem edifícios de energia quase zero. Os fabricantes têm que insistir em soluções de elevada durabilidade, com um desempenho multifuncional adequado. Para que se garanta sucesso, este tem que ser um trabalho conjunto com os laboratórios de ensaios, algo que o Itecons tem testemunhado. A arquitetura vai continuar a ter um papel primordial e os desafios da identidade arquitetónica aliada à funcionalidade são um desafio permanente.

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