Informação profissional sobre a Envolvente do Edifício

Sustentabilidade em destaque no VII Encontro Nacional do Sector das Janelas e Fachadas

Sónia Ramalho09/05/2023

Organizado pela ANFAJE, o maior evento nacional do setor reuniu cerca de 150 participantes que puderam testemunhar a partilha de conhecimentos, projetos e ideias sobre o estado atual do setor, tendo em conta o novo Programa Nacional de Habitação (PNH), o parque edificado português e o seu futuro. Mas foi a sustentabilidade que dominou o debate nas duas mesas redondas da manhã, num dia que terminou com a assinatura de dois protocolos de colaboração com dois novos parceiros: Interempresas e APEGAC.

VII Encontro Nacional do Sector das Janelas e Fachadas decorreu a 4 de maio no Hotel Vip Executive Art’s, em Lisboa
VII Encontro Nacional do Sector das Janelas e Fachadas decorreu a 4 de maio no Hotel Vip Executive Art’s, em Lisboa

O Hotel Vip Executive Art’s, em Lisboa, recebeu a 4 de maio o VII Encontro Nacional do Sector das Janelas e Fachadas, que este ano teve como mote o tema ‘Mais Habitação, Mais Conforto e Eficiência Energética’. No seu discurso de abertura, João Ferreira Gomes, presidente da ANFAJE, recordou que “continuamos o ano de 2023 sem ter informação de quando sairá o reforço ambicioso do Programa Edifícios Mais Sustentáveis, o qual conta com uma dotação total de 120 Milhões de euros no documento atualizado das medidas do PRR e que urge ver a luz do dia”.

No entanto, apesar de todas as incertezas que se vivem no setor e que “temos de continuar a enfrentar”, lembrou João Ferreira Gomes, “é necessário continuar a construir o futuro das nossas empresas e do nosso setor”, que continuará a fazer-se “através do reforço da capacidade das nossas empresas em várias áreas: o reforço da capacidade de inovação nos produtos e nos processos, tendo em conta as novas exigências relativas à sustentabilidade; o reforço da qualificação e requalificação dos trabalhadores das várias áreas das empresas; a retenção e a atração de novos talentos para o setor; o necessário reforço da capacidade de liderança das empresas. Só assim será possível continuar a assegurar a existência de um setor forte e sólido”.

Logo na primeira mesa redonda do dia, dedicada ao “Futuro da construção e eficiência energética na próxima década”, Nelson Lage - Presidente do Conselho de Administração da ADENE – Agência para a Energia, começou por referir que “vivemos tempos desafiantes, não só nos sectores, mas nas instituições. O setor da construção mostrou-se muito resiliente e foi responsável por grande parte das melhorias que se conseguiram nestes últimos anos”, lembrou.

Para Nelson Lage, “houve uma evolução muito positiva no que é a abordagem e a importância que se dá à eficiência energética, à eficiência hídrica - que se começou a falar novamente -, às temáticas da economia circular e da sustentabilidade na construção. Nunca como hoje se falou tanto nestes temas e, por isso, o exercício passa por olhar para o que temos, ver como podemos tirar partido do que temos e como melhorar. O caminho tem de ser por aí”.

Eficiência energética

Para João Joanaz de Melo, da FCT-Nova, cuja área de especialidade é o ambiente, a questão crítica das políticas climáticas é “a eficiência energética em todos os setores. Quando falamos de um PRR de 120 milhões de euros para a requalificação das casas, fizemos as contas e para colocar a generalidade do parque habitacional, pelo menos cumprindo os mínimos de conforto (idealmente com classe B menos), é preciso gastar metade desse valor e a prioridade são as coberturas, as janelas e, em alguns casos, pode apostar-se no isolamento de paredes no exterior, mas temos de ter prioridades claras e as ferramentas apropriadas.”
No que diz respeito à energia solar, “se no parque edificado produzirmos energia em cima dos edifícios, é possível produzir duas a três vezes a energia que consome. Nas cidades, a energia para a habitação e serviços pode ser totalmente produzida em cima dos telhados e uma das prioridades políticas que tem de ser repensada - e que tenho criticado há vários anos - é atribuir prioridade à criação das grandes centrais solares, em muitos casos cortando árvores, o que não faz sentido. Não só porque é anti ecológico, mas porque temos de começar a regenerar os ecossistemas e a capturar carbono no território e não deitar árvores abaixo”, lembrou João Joanaz de Melo.
Primeira mesa redonda do dia, dedicada ao “Futuro da construção e eficiência energética na próxima década”
Primeira mesa redonda do dia, dedicada ao “Futuro da construção e eficiência energética na próxima década”
“O investimento nessas centrais é mais barato, mas no edificado tem outras vantagens: não só é muito mais resiliente (passamos a ter um parque produtor mais distribuído), como necessita de menos investimento na rede de transporte pois a produção está perto do consumo, e todos nós (famílias e empresas) passamos a ser co-proprietários e co-interessados na produção de energia, o que é melhor do que ter um oligopólio de meia dúzia de empresas energéticas, que é quem tem dominado a política energética nas ultimas décadas em Portugal, na União Europeia e no resto do mundo”.

“Temos de consumir menos e melhor”

Ainda na sua intervenção, João Joanaz de Melo afirmou que “é errado ter a ilusão de que a energia vai ser mais barata: não vai. No futuro próximo, a energia vai ser mais cara e temos de reduzir a fatura pela eficiência energética, ou seja, temos de consumir menos e melhor. E temos de nos habituar a ser mais felizes com menos: neste momento estamos numa sala de conferencias sem janelas e com luzes acesas, o que é um erro de conceção. Há uma mudança de mentalidade que tem de ser levada a sério”.
Gonçalo Salazar Leite, presidente da assembleia geral da CPCI, João Joanaz de Melo, da FCT-Nova, João Ferreira Gomes, presidente da ANFAJE...

Gonçalo Salazar Leite, presidente da assembleia geral da CPCI, João Joanaz de Melo, da FCT-Nova, João Ferreira Gomes, presidente da ANFAJE, Nelson Lage - Presidente do Conselho de Administração da ADENE – Agência para a Energia

Mantendo as atenções centradas no futuro, a segunda mesa redonda abordou 'O futuro do sector das janelas na próxima década'. Para João Ferreira Gomes, presidente da ANFAJE, a sustentabilidade “não se resume apenas ao aspeto ambiental, mas inclui preocupações sociais e económicas. É importante considerar a qualidade de vida dos ocupantes dos edifícios para os quais instalamos janelas e a criação de empregos locais”.

Tendo em conta a necessidade de construir mais e melhor, João Viegas, do LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil, lembrou que “temos de pensar no edifício globalmente, seja a nível de construção nova ou reabilitação, em todos os requisitos que são aplicáveis ao edifício. Sabemos que uma exposição a sul das janelas é particularmente favorável porque temos ganhos térmicos quando o sol está mais baixo (inverno) e se tivermos pala ou sombreamentos adequados podemos evitar esses ganhos térmicos pela insolação direta nos períodos quentes”.

A segunda mesa redonda abordou 'O futuro do sector das janelas na próxima década', foi moderada por João Ferreira Gomes, presidente da ANFAJE...

A segunda mesa redonda abordou 'O futuro do sector das janelas na próxima década', foi moderada por João Ferreira Gomes, presidente da ANFAJE, e contou com as presenças de Rui Oliveira da Saint-Gobain Glass Portugal, Victor Ferreira do Cluster Habitat Sustentável e João Viegas do LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil

Desafio da transição verde

Já Vítor Ferreira, do Cluster Habitat Sustentável, defendeu que “temos de olhar para a sustentabilidade como um valor relativo, que vai mudando com o tempo”, e que há três pilares na sustentabilidade que estão ao mesmo nível: “económico, social e ambiental. É preciso que as soluções, para serem sustentáveis, também sejam competitivas”.

Na sua opinião, o que irá marcar a próxima década de 20-30, e até 2050, vai ser “a transição verde, o Green Deal, que vem por via das diretivas e pela sustentabilidade se ter tornado um valor de mercado. Há uma crescente apetência da opinião publica sensível à questão da sustentabilidade”.

Para Vítor Ferreira, os cadernos de encargos têm de começar a exigir critérios relacionados com a sustentabilidade. “As compras publicas de inovação e compras públicas sustentáveis podem ser o grande motor de transformação para uma maior sustentabilidade, ou seja, os cadernos de encargos assumirem o que pode ser a exigência de uma construção neutra em carbono”.

Produtos santos e pecadores

Este pode vir a ser um aspeto marcante na próxima década. “As empresas têm de perceber qual a pegada carbónica do seu produto e que podem combinar materiais diferentes (porque temos produtos santos e pecadores, ou seja, uns que sequestram carbono e outros que emitem carbono quando são produzidos). Cabe ao arquiteto combinar soluções de forma a obter um balanço zero no final. Esta vai ser uma questão determinante”, defende Vítor Ferreira.

É neste sentido que o Cluster Habitat Sustentável está a trabalhar junto das empresas, “no sentido de levá-las organizarem-se com a sua cadeira de valor para, junto de quem projeta e de quem tem construções, combinarem soluções de materiais e produtos diferentes para que o objeto final tenha um balanço carbónico perto de zero, seja uma reabilitação ou construção nova. Estes vão ser os grandes desafios em termos de sustentabilidade”.

Para Rui Oliveira, da Saint-Gobain Portugal, “é necessário mais construção nova, que está dividida entre a gama alta (empresas bem estruturadas, cuja sustentabilidade nos processos e soluções está bem incorporada) e a gama média, que é o que o país precisa com mais urgência. A problemática é que, ao concorrer com empresas devidamente estruturadas, há empresas cuja sustentabilidade não é assumida como prioridade, o que leva a uma concorrência desleal e à entrada de produtos sem certificação”.

Na parte na renovação, “o problema é mais grave porque faz-se com empresas de dimensão mais pequena, que tendem a oferecer soluções em que o mindset da sustentabilidade não está presente. Para mitigar o problema é preciso investir em legislação, regulamentação, fiscalização e com isso poder oferecer ao consumidor uma solução sustentável”, defendeu.

Para João Viegas, é fundamental juntar numa mesma mesa “investigadores, produtores e utilizadores, ou seja, todas as partes interessadas, e procurar definir as especificações que são relevantes nos produtos. O caminho é procurar normalizar. Formar comissões de normalização para todos falarem numa mesma linguagem. Quando se compra um automóvel temos um manual de instruções, mas ao comprar uma habitação não há um manual e este também é necessário. É um ponto do problema que não podemos escamotear. Boa parte dos consumos energéticos podem ser reduzidos com o uso adequado da unidade habitacional ou o escritório.”

Demonstrações práticas e 1°Congresso ASEFAVE

No VII Encontro da ANFAJE, uma das novidades esteve relacionada com duas demonstrações práticas sobre como instalar uma janela eficiente, a cargo da Soudal, que decorreram no final da manhã e durante a pausa para o almoço.

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Seguiu-se a apresentação do I Congresso Internacional da Janela, Fachada e Proteção Solar, a cargo de Sónia Ramalho, diretora da revista Novoperfil, que em representação da ASEFAVE (Associação Espanhola de Fabricantes de Fachadas Ligeiras e Janelas) deu a conhecer o evento que irá decorrer em Madrid nos próximos dias 23 e 24 de novembro e que se assume como o grande fórum de debate, promoção e desenvolvimento do setor dos recintos em Espanha: janelas, fachadas leves, fachadas ventiladas, sistemas de proteção solar e seus componentes.

Sónia Ramalho, diretora da revista Novoperfil em representação da ASEFAVE, deu a conhecer o I Congresso Internacional da Janela...
Sónia Ramalho, diretora da revista Novoperfil em representação da ASEFAVE, deu a conhecer o I Congresso Internacional da Janela, Fachada e Proteção Solar, que irá decorrer em Madrid nos dias 23 e 24 de novembro

Na intervenção seguinte, Verena Oberrauch, em representação da EuroWindoor (Confederação Europeia de Janelas e Fachadas) sobre os desafios do setor em toda a Europa

Ainda em termos de novidades, Carolina Costa, da ADENE, relevou várias novidades da iniciativa Classe+, como a automatização do diploma do aderente e o melhoramento da plataforma, com novas funcionalidades, além da apresentação da 2ª edição dos Prémios Novoperfil Janelas Eficientes, cujas candidaturas irão arrancar no início de 2024.

Carolina Costa, da ADENE, relevou várias novidades da iniciativa Classe+ e da 2ª edição dos Prémios Novoperfil Janelas Eficientes...
Carolina Costa, da ADENE, relevou várias novidades da iniciativa Classe+ e da 2ª edição dos Prémios Novoperfil Janelas Eficientes, cujas candidaturas irão arrancar no início de 2024

Assinatura de 2 protocolos

A sessão de encerramento do VII Encontro ficou marcada pela assinatura de dois Protocolos de Colaboração: um entre a ANFAJE e a APEGAC – Associação Portuguesa de Empresas de Gestão e Administração de Condomínios, e outro com a Interempresas, editora espanhola de revistas como a Novoperfil e O Instalador. Este último protocolo está relacionado com a publicação de um ‘Manual Técnico das Janelas Eficientes’ entre a ANFAJE e a Interempresas, a publicar em 2024.

Aleix Torné, em representação da Interempresas, editora espanhola de revistas como a Novoperfil e O Instalador, com João Ferreira Gomes...
Aleix Torné, em representação da Interempresas, editora espanhola de revistas como a Novoperfil e O Instalador, com João Ferreira Gomes, presidente da ANFAJE
A assinatura do protocolo entre a APEGAC – Associação Portuguesa de Empresas de Gestão e Administração de Condomínios e a...
A assinatura do protocolo entre a APEGAC – Associação Portuguesa de Empresas de Gestão e Administração de Condomínios e a ANFAJE

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