8.º Encontro Nacional da ANFAJE
“A renovação que começa na substituição das janelas oferece benefícios diretamente tangíveis, incluindo poupança de energia, qualidade do ar interior, acústica e utilização sem barreiras” - Verena Oberrauch, presidente da EuroWindoor
Redução dos consumos energéticos por via da eficiência, melhoria do conforto térmico e acústico dos edifícios, mais exigências sobre a qualidade e os requisitos de instalação de janelas. Sob a temática ‘Construção 4.0: O Futuro Inteligente das Janelas e Fachadas’ o 8.º Encontro Nacional da Associação Nacional dos Fabricantes de Janelas Eficientes (ANFAJE) reuniu na Concreta 2024 especialistas nacionais e europeus, profissionais e empresas para debater as tendências, oportunidades e desafios do setor.
Em foco, ao longo de um dia preenchido pela partilha de conhecimento e boas práticas, esteve a integração das tecnologias digitais na construção, em particular no que diz respeito ao fabrico, comercialização e instalação de janelas e fachadas eficientes.
No momento atual, “o lema só poderia ser este”, sublinhou, na sessão de abertura, João Ferreira Gomes, presidente da ANFAJE. Face à “necessidade de existir mais habitação em Portugal que cumpra com os exigentes requisitos técnicos de maior conforto térmico e acústico e de eficiência energética” o debate sobre Construção 4.0 permitiu analisar “os enormes desafios que todo o setor da construção tem pela frente e que o nosso setor, em particular, deve acompanhar”.
Na opinião de João Ferreira Gomes, a abertura do setor à construção inteligente, nomeadamente de janelas e fachadas, é crucial para resolver “os desafios relacionados com a industrialização e digitalização crescente da atividade da edificação” e começar a abordar “o tema da robotização da atividade do nosso setor e os desafios da Inteligência Artificial em todas as áreas das nossas empresas”. Também incontornáveis são os desafios que surgem com a nova Diretiva Europeia do Desempenho Energético dos Edifícios e dos edifícios de consumo zero, sublinha.
Lamentando o final anunciado do Programa Edifícios Mais Sustentáveis, o responsável defende que “no âmbito da qualidade e conforto térmico das habitações em Portugal a grande maioria dos portugueses devia ser considerado ‘vulnerável’, à luz da Estratégia Nacional de Longo Prazo para o Combate à Pobreza Energética 2023-2050 (ELPPE).
Alertando que “não se entende que o apoio às janelas eficientes fique de fora dos programas e medidas de apoio a executar nos próximos anos”, o presidente garante que a ANFAJE continuará a apresentar propostas ao Governo e aos Grupos Parlamentares com assento na Assembleia da República que incluam apoios à instalação de novas janelas eficientes. O objetivo é defender “uma política ambiciosa de melhoria do conforto e da eficiência energética das habitações em Portugal”.
Num quadro de incerteza política, João Ferreira Gomes elogia “a boa situação do investimento imobiliário privado e da execução dos investimentos no âmbito do PRR na área da melhoria da eficiência energética do edificado público”.
No atual contexto, as empresas do setor “devem continuar a abraçar as oportunidades relativas às novas exigências de redução dos consumos energéticos, à melhoria da eficiência energética dos edifícios, às questões da sustentabilidade e da economia circular, ao aumento da qualidade e dos requisitos relativos à instalação de janelas eficientes e a todos os desafios relacionados com a Economia 4.0 e a Inteligência Artificial”, concluiu.
Numa intervenção intitulada ‘A Nova Diretiva EPBD: O que Muda em 2025?’, Tiago Mota, da ADENE – Agência para a Energia, apresentou as principais disposições da Diretiva de Desempenho Energético dos Edifícios (UE) 2024/1275: normas mínimas de desempenho energético para edifícios não residenciais; trajetórias para uma renovação progressiva do parque imobiliário residencial; energia solar nos edifícios; edifícios com emissões nulas; passaporte de renovação; certificados energéticos; plano nacional de renovação de edifícios; financiamento, assistência técnica e balcões únicos de desempenho energético; e potencial de aquecimento global.
Num contexto europeu em que o setor dos edifícios é um dos consumidores de energia com maior dimensão na europa (42%) e responsável por mais de 1/3 de emissões relacionadas com esse consumo, realidade que em Portugal se traduz num setor que consome 33% do consumo de energia final e emite 5,4% e 18% das emissões totais de GEE (âmbito 1 e âmbito 2, respetivamente), o responsável da ADENE sublinhou que, no nosso país, 63% do consumo de energia é proveniente de fontes renováveis.
Avaliando “as áreas de foco” da EPBD 2024 [Renovação, Descarbonização, Framework (certificados, passaportes, financiamento, etc.) e Modernização], Tiago Mota concluiu que os principais desafios são a modernização do parque imobiliário (80% dos edifícios apresentam classes energéticas C ou piores); o custo da renovação (criação de incentivos financeiros e utilização de mecanismos de apoio); e a capacidade do setor da construção (formação de profissionais no setor, mão de obra altamente qualificada). Já as maiores oportunidades estão no combate à pobreza energética (renovação dos edifícios mais antigos e ineficientes para melhorar significativamente a qualidade de vida, especialmente para as populações vulneráveis); incentivos financeiros e novos mercados (planos nacionais de renovação energética como auxílio no acesso a fundos públicos e privados); e criação de emprego (desenvolvimento de novas tecnologias e dos ‘green jobs’).
Também Verena Oberrauch, presidente da EuroWindoor, enunciou os grandes desafios para 2025 na indústria das janelas em toda a Europa. Na visão da confederação que representa os interesses dos fabricantes europeus de janelas, portas e fachadas, as tendências de desenvolvimento atuais apontam o foco para a digitalização e inovação tecnológica, sustentabilidade e proteção climática, novas competências, materiais e métodos de construção inovadores e construção residencial e infraestruturas.
Sublinhando que o Green Deal passou de um plano ambicioso a um quadro regulamentar em progresso, com o lançamento pela UE de muitas novas iniciativas regulamentares e programas políticos, Verena Oberrauch acredita que desta evolução resultam oportunidades para o setor das janelas: a nível da revisão da Diretiva EPBD, “garantir que as janelas continuam na ordem do dia e são vistas como um produto positivo que pode contribuir para a eficiência energética, bem como para o conforto e o bem-estar”, e criar o lema ‘quando renovar, comece pelas janelas’; e a nível do novo Regulamento dos Produtos de Construção (RPC), “dar contributos à Comissão Europeia sobre questões de implementação, contribuir para os esforços de normalização e informar a indústria sobre as próximas alterações, fomentando o esclarecimento”.
Mas que oportunidades e desafios pode a EPBD representar para o setor das janelas? O mercado da renovação está a crescer fortemente devido aos MEPS (Minimum Energy Performance Standards), explica a responsável. Até 2033, cerca de 1/3 do parque deverá ser modernizado, com 50% do potencial total de poupança. Por outro lado, o abandono dos combustíveis fósseis no parque imobiliário até 2050 (neutro para o clima) torna necessária a modernização da envolvente dos edifícios. As janelas atuais já são adequadas para edifícios com emissões zero, diz Vera Oberrauch, mas para o cálculo do potencial de efeito de estufa do ciclo de vida dos novos edifícios têm de ser identificados e comunicados indicadores ambientais para os produtos.
No que respeita ao RPC, o setor das janelas e fachadas continuará a ser regido por múltiplos grupos de produtos ao abrigo deste regulamento, garante a presidente da EuroWindoor, comentando “isso não mudará”. A nova e a ‘antiga’ versões serão aplicadas em paralelo durante um período de transição gradual, com os novos requisitos a entrarem em vigor assim que as normas dos produtos estiverem harmonizadas de acordo com o RPC, detalha. Este processo envolve peritos nacionais dos Estados-Membros da UE e tem como objetivo a revisão dos grupos de produtos e das normas. Estão a ser recolhidos todos os requisitos dos países membros para os vários grupos de produtos. O pedido de normalização para janelas e portas está previsto para meados de 2025, abordando temas como a avaliação da transmissão térmica e a determinação dos valores U pelo fabricante ou pelo organismo notificado. Está também em curso uma via rápida para o vidro e as paredes-cortina, avança a responsável.
Em jeito de reflexão, a presidente da EuroWindoor questiona em que medida o futuro do setor das janelas se deve concentrar na renovação. Vera Oberrauch não tem dúvidas: a substituição de janelas por estruturas modernas oferece muitos benefícios diretamente tangíveis para os consumidores, incluindo poupança de energia, qualidade do ar interior, acústica, segurança, conforto e utilização sem barreiras para pessoas com deficiência e idosos.
O 8.º Encontro Nacional da ANFAJE incluiu ainda uma demonstração prática da instalação de uma janela eficiente, a cargo do patrocinador principal do evento, a Soudal Portugal. A propósito da integração das tecnologias digitais na construção, Rui Salgueiro, country manager da Soudal Portugal, referiu que “a digitalização vai ter, de facto, um papel importante em todo o setor da construção”. E deixou uma mensagem a fabricantes, vendedores e instaladores de janelas e fachadas eficientes: “temos que estar preparados, porque é assim que vamos enfrentar os grandes desafios que se colocam pela frente”.
Para promover a transição digital do setor a ANFAJE integrou no seu Encontro Nacional uma Masterclass exclusiva sobre Janelas Inteligentes. Intitulada ‘A Inteligência Artificial ao serviço do setor das janelas’ esta aula foi apresentada por Marco Gouveia, fundador da Escola Marketing Digital.
Nesta edição do evento anual de referência do setor não faltaram, como habitualmente, os momentos de debate com os associados da ANFAJE e as organizações e profissionais do setor, materializados em três mesas-redondas: 'Perspetivas dos Setores da Construção e do Imobiliário para 2025', que reuniu a participação de Tiago Mota, da ADENE e Nuno Simões, do Itecons; 'Desafios e Oportunidades para o Setor das Janelas em 2025', com Hélder Vilaça, da Passivhaus Portugal, Victor Ferreira, do Cluster Habitat Sustentável, Mário Molho, da Otiima e Nuno Simões do Itecons; e 'Melhorar o Isolamento Acústico dos Edifícios', com a participação de Rui Oliveira, da Saint-Gobain Glass, Acácio Pires, da ZERO e João Ferreira Gomes, da ANFAJE.
Em discussão estiveram temas tão variados como as estratégias de longo prazo para a reabilitação de edifícios e combate à pobreza energética, demais novidades regulamentares e novas exigências técnicas com a eficiência energética, papel das janelas na construção de casas passivas, tendências emergentes de sustentabilidade, desempenho energético e neutralidade carbónica, e contributo das janelas eficientes para o isolamento acústico.
A fechar o dia de trabalhos, o Centro de Negócios da Concreta foi palco para o lançamento oficial do Manual de Produto – Janelas, uma publicação técnica da ANFAJE, em parceria com a editora Induglobal, que inova no setor por ser a primeira do género em Portugal. Mais uma iniciativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Janelas Eficientes para apoiar e prestigiar o setor em Portugal, no âmbito do seu trabalho associativo de já 15 anos em prol do contributo das janelas eficientes para a melhoria do conforto térmico e acústico, da qualidade da construção e da eficiência energética dos edifícios portugueses.
O 8.º Encontro Nacional contou com a exposição dos patrocinadores e com um espaço para networking. O evento, de que a Novoperfil é Media Partner, foi patrocinado pela Soudal Portugal, Saint-Gobain Glass, Persax e Otiima, e contou com o apoio institucional da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI) e da EuroWindoor.
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