O Segmento Urbano assinala 20 anos de atividade com um projeto editorial de caráter reflexivo que pretende oferecer uma leitura crítica sobre a prática da arquitetura e da construção em Portugal.
Previsto para o outono de 2026, o livro reunirá aprendizagens, metodologias, dilemas e decisões que marcaram o percurso do atelier desde a sua fundação em 2006.
Segundo Maria João Correia, fundadora do Segmento Urbano, a publicação nasce da experiência acumulada ao longo de duas décadas: “ao longo destes 20 anos aprendemos que muitas das perdas de valor na construção não acontecem no fim do processo, mas logo no início. Este livro nasce da vontade de partilhar essas aprendizagens e de contribuir para uma prática mais consciente e responsável”.
Mais do que um registo cronológico de projetos, a obra pretende contribuir para a reflexão sobre temas centrais do setor, como a tomada de decisão nas fases iniciais, a ética profissional, a formação, a relação entre projeto e execução e o impacto das escolhas no território e nas pessoas.
Ao longo da sua trajetória, o Segmento Urbano consolidou metodologias próprias centradas na integração disciplinar e na antecipação de risco, apoiando-se em ferramentas como o Land Staging, concebido para reduzir incertezas antes da construção, e no Build Lab, plataforma de conhecimento, formação e qualificação técnica. Ambas as iniciativas resultam da experiência acumulada e refletem uma abordagem consciente à relação entre projeto, obra e ferramentas contemporâneas como o BIM.
O atelier atravessou diferentes ciclos económicos mantendo uma prática seletiva e orientada para a criação de valor, e em 2025 registou um volume de negócios de cerca de 1,5 milhões de euros, estável face ao ano anterior. Para 2026, a empresa prevê um crescimento moderado e sustentado entre 10% e 20%, reforçando a atuação nas fases iniciais de decisão e privilegiando projetos de elevado valor territorial.
“Mais do que crescer rapidamente, o objetivo é decidir melhor. Cada projeto é uma oportunidade de assumir responsabilidade pelas consequências espaciais, económicas e humanas das escolhas feitas”, acrescenta Maria João Correia.
Entre os trabalhos que ilustram a experiência do atelier destacam-se projetos em Portugal e em Angola, concebidos para integrar arquitetura, urbanismo e engenharia de forma consciente e inovadora. Do 'Condomínio Palmeiras', que combina diferentes tipologias habitacionais e conforto climático, ao 'Masterplan Kicuxi', estruturado de forma orgânica e integrando habitação, lazer e zonas verdes (ambos em Luanda), cada intervenção reflete uma leitura estratégica do território. O edifício 'Metamorfoses', também em Luanda, surgiu como ícone identitário e instrumento de regeneração urbana, enquanto a reabilitação do espaço industrial 'The Can', em Matosinhos, transformou-se num híbrido de restauração e loja, fundindo processo produtivo, arquitetura e experiência do utilizador. Mais recentemente, o projeto conceptual internacional 'Echoes of the Void', nas Furnas, explorou a luz, o vazio e a paisagem natural para traduzir as cinco fases do luto, tendo sido distinguido no World Architecture Festival de 2025.
Ao longo destes 20 anos, o Segmento Urbano consolidou uma prática multidisciplinar, orientada por critérios de qualidade, sustentabilidade e ética profissional, reforçando a sua capacidade de intervir de forma responsável e consciente nos territórios onde atua.


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