Como presidente da ANFAJE, é inevitável olhar para este início de 2026 como um período de clarificação e consolidação para o setor das janelas, portas e fachadas eficientes. Depois de um final de 2025 marcado pela projeção de tendências e expectativas, os últimos meses têm vindo a testar, de forma concreta, a capacidade das empresas para transformar essa visão em prática. Mais do que antecipar o futuro, este é o momento de perceber até que ponto o setor está preparado para o concretizar.
Uma das principais tendências emergentes é a crescente digitalização do processo produtivo e comercial. A integração de ferramentas de modelação, orçamentação automática e ligação a plataformas BIM está a ganhar expressão. No entanto, esta evolução não é homogénea. Grande parte do tecido empresarial do setor, composto por pequenas e médias empresas, enfrenta dificuldades na adoção destas soluções, seja por limitações de investimento, seja por falta de competências digitais internas. A transformação digital deixou de ser uma opção e requer uma forte aposta na formação profissional, área que a ANFAJE tem procurado apoiar com a realização de vários webinars abertos a todas as empresas do setor.
Outra tendência relevante prende-se com a industrialização e a normalização de processos, com vista a ganhos de eficiência e competitividade. A pressão sobre prazos e custos, agravada por um contexto económico cada vez mais incerto, tem levado as empresas a repensar métodos construtivos e a apostar em soluções mais padronizadas. Contudo, este movimento levanta um dilema importante: como equilibrar a padronização com a crescente exigência de personalização por parte do cliente final e dos projetos de arquitetura?
A inovação no produto janela não passa apenas por incorporar tecnologia ou eficiência. Ela está, cada vez mais, ligada à capacidade de responder a novas exigências de projeto e à experiência dos vários tipos de utilizador. Os arquitetos e clientes procuram soluções que combinem estética, funcionalidade e integração com outros sistemas do edifício, como iluminação e climatização. O desafio reside em criar produtos suficientemente flexíveis para se adaptarem a diferentes contextos e estilos, sem perder desempenho ou durabilidade, tornando a inovação também uma questão de design inteligente e compreensão das necessidades do mercado.
Por outro lado, a escassez de mão de obra qualificada mantém-se como um dos maiores constrangimentos estruturais. A introdução de novas tecnologias e processos exige competências específicas que nem sempre estão disponíveis, tornando evidente a necessidade de reforçar a formação técnica e a capacidade do setor para atrair novos profissionais. Também aqui a ANFAJE, em parceria com outras entidades públicas e privadas, tem procurado combater este desafio do setor.
Finalmente, importa referir o enquadramento regulamentar, que continua a evoluir e a ser cada vez mais exigente, mas nem sempre com a clareza e estabilidade desejadas. A multiplicidade de exigências e a sua constante atualização representam um desafio adicional para as empresas, sobretudo as de menor dimensão, que têm mais dificuldade em acompanhar e interpretar estas mudanças. Mais uma vez, a ANFAJE surge como um farol que pode auxiliar na área técnica, dando apoio no esclarecimento da evolução normativa e regulamentar.
Em suma: deixando de lado os enormes constrangimentos derivados da guerra contra o Irão e que gerará uma nova crise de contornos ainda incertos, o setor das janelas, portas e fachadas eficientes encontra-se num momento de transição exigente. As tendências são claras e apontam para um futuro mais digital, integrado e exigente. No entanto, o verdadeiro teste está na capacidade de transformar estas tendências em prática corrente, superando os constrangimentos que continuam a persistir. É neste equilíbrio entre ambição e realidade que se jogará a competitividade do setor nos próximos anos.



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