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Informação profissional sobre a Envolvente do Edifício

O estado-da-arte da tecnologia BIM aplicada à envolvente do edifício em Portugal

Luís Sanhudo, head of Digital Transformation do BUILT CoLAB20/04/2026
A envolvente é uma área onde a integração entre projeto, desempenho, operação e sustentabilidade pode ser profundamente beneficiada por uma abordagem baseada em dados
A construção está hoje sujeita a uma pressão crescente para responder melhor, mais depressa e com maior previsibilidade. Exige-se maior eficiência energética, melhor desempenho ambiental, maior controlo de custos, menos erro em obra e decisões técnicas mais bem fundamentadas desde as fases iniciais. Neste cenário, a digitalização deixou de ser apenas um sinal de modernização para passar a ser uma condição prática de competitividade.
Luís Sanhudo, head of Digital Transformation do BUILT CoLAB
Luís Sanhudo, head of Digital Transformation do BUILT CoLAB.

É precisamente neste ponto que a envolvente do edifício ganha particular relevância. Fachadas, sistemas de sombreamento, caixilharias, isolamento e restantes componentes da pele do edifício influenciam de forma decisiva o consumo energético, o conforto térmico, a durabilidade e, em última análise, a qualidade do ativo construído. A capacidade de estudar estas soluções com maior rigor, ainda antes da obra, tornou-se por isso um fator real de diferenciação para gabinetes de arquitetura, projetistas e equipas de engenharia.

É precisamente aqui que o BIM ganha relevância. A sua utilidade não está apenas na representação tridimensional, mas na possibilidade de testar soluções, comparar alternativas e apoiar decisões antes da execução. Na prática, permite antecipar comportamentos, cruzar critérios de desempenho e reduzir a margem de erro em escolhas que, durante demasiado tempo, foram validadas tarde demais. Na análise da envolvente, isso traduz-se em avaliações mais consistentes ao nível do sombreamento, do desempenho energético e do conforto térmico, com impacto direto na qualidade do projeto.

Contudo, o verdadeiro valor do BIM não termina na capacidade de modelar. O que o torna particularmente relevante é a forma como organiza e torna utilizável a informação técnica associada aos vários elementos construtivos. A qualidade dos objetos BIM – ao nível da parametrização, da consistência da informação, da normalização e da interoperabilidade – é determinante para garantir análises fiáveis e uma base informacional coerente ao longo do ciclo de vida do edifício. No caso da envolvente, isso significa incorporar dados sobre materiais, comportamento térmico, propriedades técnicas e desempenho esperado, de modo estruturado e reutilizável.

Esta continuidade da informação é o que permite que o valor do BIM ultrapasse a fase de projeto e construção. Quando o modelo deixa de servir apenas para conceber e passa também a suportar a exploração do ativo, entra-se num novo patamar de maturidade digital. É neste ponto que surgem os Gémeos Digitais, assentes em modelos BIM e alimentados por dados reais, capazes de refletir o comportamento do edifício ao longo do tempo.

Plataforma de Digital Twin desenvolvida pelo BUILT CoLAB
Plataforma de Digital Twin desenvolvida pelo BUILT CoLAB.

Aplicado à envolvente, este salto é particularmente relevante. Em vez de se trabalhar apenas com pressupostos de projeto, passa a ser possível relacionar o modelo com condições reais de operação, monitorizar desempenho, avaliar desvios, simular cenários e apoiar decisões de manutenção, adaptação ou otimização. O edifício deixa, assim, de ser visto como uma realidade estática após a obra concluída e passa a ser entendido como um sistema vivo, cuja performance pode ser acompanhada e melhorada de forma contínua.

É precisamente nesta visão que o BUILT CoLAB tem vindo a trabalhar. O desenvolvimento de plataformas de Digital Twin com capacidade de simulação permite estender o uso do modelo para além da fase de conceção, criando condições para uma gestão mais informada, mais dinâmica e mais próxima do comportamento real do ativo. Esta evolução é relevante não apenas do ponto de vista tecnológico, mas sobretudo do ponto de vista da decisão: em vez de reagir a problemas já instalados, torna-se possível antecipar comportamentos, comparar opções e agir de forma mais preditiva.

A integração de inteligência artificial reforça mais ainda este potencial. Durante anos, muitas análises de desempenho dependeram de simuladores físicos ou de processos computacionais exigentes, tecnicamente robustos, mas lentos, caros e pouco compatíveis com ritmos de decisão mais ágeis. Esses métodos continuam a ter o seu lugar, sobretudo quando é necessária validação aprofundada. No entanto, a utilização de modelos baseados em IA permite hoje acelerar significativamente a exploração de cenários, produzir estimativas rápidas e apoiar decisões preliminares com um nível de robustez cada vez mais relevante para a prática.

O ponto essencial não é substituir cegamente os métodos tradicionais, mas reorganizar a forma como são usados. A inteligência artificial pode reduzir o tempo necessário para testar hipóteses, filtrar alternativas e concentrar os recursos de simulação detalhada onde eles realmente acrescentam valor. Isso permite encurtar ciclos de decisão, reduzir custos de análise e aumentar a capacidade de interação em projeto – algo particularmente importante quando se trabalha sobre a envolvente, onde pequenas alterações podem ter efeitos muito significativos no comportamento do edifício.

Este avanço tem também uma consequência importante: a redução do custo de entrada no acesso a este tipo de serviços. Durante muito tempo, o uso de BIM ‘avançado’, de simulação de desempenho ou de plataformas mais sofisticadas de apoio à decisão esteve concentrado em organizações com maior capacidade financeira e técnica. Hoje, a evolução das soluções cloud, a flexibilização dos modelos de licenciamento, a crescente maturidade dos ecossistemas digitais e a disseminação de competências estão a tornar estas ferramentas mais acessíveis. Esta democratização é crítica para que a transformação digital não fique limitada a um pequeno grupo de atores.

Em Portugal, o debate sobre o BIM entrou também numa fase mais concreta. Em setembro de 2025, o Conselho de Ministros aprovou a Estratégia Nacional para a Implementação da Metodologia BIM – PortugalBIM. A nível europeu, a contratação pública continua a ser um dos principais motores desta evolução: a Diretiva 2014/24/UE promove a utilização de BIM em projetos de construção, e a própria Comissão Europeia tem vindo a sublinhar que a adoção entre Estados-Membros continua desigual e dependente de estratégias, normas, capacitação e roteiros nacionais consistentes. Em bom rigor, mais do que uma obrigatoriedade uniforme já consolidada, o que existe hoje é um movimento claro de institucionalização e aceleração da adoção.

Este ponto é importante porque ajuda a recentrar a discussão. O desafio já não está em provar que o BIM tem utilidade. Esse debate está, em larga medida, ultrapassado. O verdadeiro desafio está em garantir qualidade da informação, interoperabilidade entre plataformas, capacitação de equipas e modelos de adoção que criem valor real em vez de mera conformidade formal. O risco, como em qualquer processo de transição, é transformar uma ferramenta estratégica numa exigência burocrática sem impacto efetivo.

No caso da envolvente do edifício, isso seria particularmente redutor. Estamos a falar de uma área onde a integração entre projeto, desempenho, operação e sustentabilidade pode ser profundamente beneficiada por uma abordagem baseada em dados. O BIM, quando articulado com Gémeos Digitais e com inteligência artificial, permite aproximar o processo de decisão da realidade do edifício e reduzir o desfasamento entre o que se projeta, o que se constrói e o que efetivamente acontece em uso.

É por isso que o estado-da-arte não deve ser lido apenas como um retrato da maturidade atual do setor, mas como um sinal de mudança de paradigma. A aplicação do BIM à envolvente do edifício já não se limita à produção de modelos mais completos ou visualmente mais apelativos. O que está em causa é uma nova forma de pensar o desempenho, de estruturar a informação e de apoiar decisões ao longo de todo o ciclo de vida. A diferença, daqui para a frente, será cada vez menos entre quem usa BIM e quem não usa, e cada vez mais entre quem o usa apenas para modelar e quem o usa verdadeiramente para decidir.

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