Vekaplast Ibérica, S.A.U.
Informação profissional sobre a Envolvente do Edifício
Entrevista a José Carlos Lino, presidente da Direção do buildingSMART Portugal

“O setor da envolvente em Portugal é dos mais industrializados e despertos para a digitalização”

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O desafio atual passa por transformar normas estratégicas em orientações operacionais que permitam às empresas da envolvente entregar modelos que sejam tecnicamente rigorosos
Existe margem de progressão na exigência contratual e na uniformização de práticas através de processos openBIM harmonizados a montante e a jusante na cadeia de valor
Apesar de “lacunas na fiabilidade e na abertura dos dados”, existem progressos na adoção de tecnologia BIM no setor da envolvente do edifício, garante, em entrevista, o presidente da Direção do buildingSMART Portugal, José Carlos Lino. A principal recomendação é que as empresas “se preparem urgentemente para a inevitabilidade do openBIM como padrão de mercado”, alerta.
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Em Portugal, qual é o nível de maturidade na adoção do BIM aplicado à envolvente do edifício, comparativamente a outros países europeus?

Portugal vive uma fase de transição positiva. Embora não tenhamos ainda a obrigatoriedade regulamentar observada em mercados como o Reino Unido, a Europa Central ou os países nórdicos, o setor da envolvente em Portugal é dos mais industrializados e despertos para a digitalização.

A organização do buildingSMART International Summit no Porto, em março de 2026, demonstrou que as nossas empresas estão integradas na discussão global. Onde ainda existe margem de progressão é na exigência contratual e na uniformização de práticas através de processos openBIM harmonizados a montante e a jusante na cadeia de valor.

De que forma a normalização e a interoperabilidade promovidas pela buildingSMART Portugal impactam a digitalização da envolvente do edifício?

Impactam de forma direta e profunda, pois a digitalização da envolvente não depende apenas de ‘modelar em 3D’, mas de estruturar informação de modo consistente. A buildingSMART Portugal, enquanto capítulo nacional da buildingSMART International, tem contribuído ativamente para a implementação do openBIM em Portugal, numa abordagem assente em padrões abertos e neutros como o IFC (Industry Foundation Classes). No caso particular da envolvente (fachadas, caixilharias e sombreamentos), esta normalização garante que a informação circule entre softwares e equipas sem perdas, permitindo que o ativo digital seja uma fonte fiável de informação para análises de ciclo de vida e sustentabilidade, antecipando exigências europeias como o Digital Product Passport (DPP).

A envolvente do edifício envolve múltiplos sistemas e fabricantes. Como é que o openBIM facilita a integração destes diferentes elementos num modelo coerente e fiável?

O openBIM facilita esta integração ao separar a autoria do modelo da compreensão da informação. Cada fabricante ou projetista pode utilizar as suas ferramentas de eleição, desde que a informação relevante seja trocada através de estruturas semânticas claras. Para garantir que esta integração seja robusta e universal, utilizamos o bsDD (buildingSMART Data Dictionary). Este dicionário de dados global permite ligar os objetos a classificações e terminologias partilhadas, assegurando que um componente de caixilharia seja interpretado com exatidão por qualquer interveniente, independentemente do software ou do país de origem, reduzindo erros e pedidos de esclarecimento em obra.

Quais são os principais desafios na estruturação e troca de informação digital associada a componentes como janelas, portas e fachadas?

Os desafios centram-se na falta de maturidade digital e na ausência de critérios uniformes de propriedade e nomenclatura. Muitas vezes, os objetos disponibilizados são apenas ‘cascas geométricas’ sem inteligência. Para resolver este problema de inconsistência, existem normas como a EN ISO 22014, que regula os objetos BIM e as bibliotecas de objetos, definindo como estes devem ser estruturados e descritos. O desafio atual passa por transformar estas normas estratégicas em orientações operacionais que permitam às empresas da envolvente entregar modelos que não sejam apenas visualmente corretos, mas tecnicamente rigorosos.

Como avalia a qualidade da informação BIM atualmente disponível para produtos da envolvente do edifício? Ainda existem lacunas?

Existem progressos, mas persistem lacunas na fiabilidade e na abertura dos dados. Um bom exemplo para colmatar estas falhas, é a iniciativa PDTs.pt (Templates de Dados de Produto). Este projeto disponibiliza modelos de informação que respeitam rigorosamente os padrões ISO 23386 (para a governação de propriedades em dicionários de dados) e ISO 23387 (para a estrutura de templates de dados em modelos BIM). Ao adotar estes templates, os fabricantes garantem que a sua informação técnica é fidedigna, rastreável e cumpre os requisitos de qualidade exigidos pelos donos de obra mais avançados.

De que forma standards como IFC e outras iniciativas da buildingSMART contribuem para análises energéticas mais rigorosas?

As análises energéticas dependem de dados estruturados sobre transmitância térmica, fator solar e permeabilidade ao ar. Se os elementos estiverem mal classificados ou com propriedades incompletas, a simulação fica comprometida. O ecossistema buildingSMART fornece os mecanismos para que estas propriedades viajem de forma automática do modelo para o software de cálculo. Standards complementares, como o IDS (Information Delivery Specification), permitem definir e verificar computacionalmente se os requisitos de informação energética estão presentes antes da análise, garantindo resultados muito mais próximos do comportamento real do edifício. Por outro lado, é de assinalar a linearidade de informação que todo o processo 19650 permite, com suporte no IFC. Não há necessidade de reintroduzir informação anteriormente mal introduzida ou enriquecer informação quando, por exemplo, um modelo passa de um arquiteto para um especialista em análise energética. O fluxo é mais direto e com menos perdas, portanto mais eficaz.

Que recomendações deixaria às empresas da área da envolvente que pretendem acelerar a sua transição digital através do BIM?

A nossa principal recomendação é que as empresas se preparem urgentemente para a inevitabilidade do openBIM como padrão de mercado. Devem investir na estruturação da informação de produto antes mesmo da modelação 3D sofisticada e apostar na capacitação das suas equipas. É essencial que as empresas disponibilizem os seus catálogos em formatos abertos e não fiquem reféns de formatos proprietários.

Em suma: quem estruturar bem os seus dados, seguindo os standards internacionais e colaborando ativamente com a comunidade técnica, terá uma vantagem competitiva clara num mercado cada vez mais integrado e exigente.

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