A gestão da cadeia de abastecimento e a definição de prioridades estratégicas para o comércio de materiais de construção estiveram no centro de um workshop realizado em Aveiro, no âmbito do projeto Next Generation MC, que reuniu diferentes perspetivas sobre os desafios atuais e a evolução do setor, numa iniciativa da Associação Portuguesa dos Comerciantes de Materiais de Construção (APCMC).
A iniciativa teve lugar em Aveiro e reuniu cerca de 40 participantes num formato marcado pela partilha de conhecimento e interação com as oradoras convidadas, em torno de temas críticos para a evolução do comércio de materiais de construção.
Após a abertura da sessão, a cargo de João Pedro Begonha, diretor-geral da APCMC, seguiu-se a intervenção de Carla Carreira, presidente da APCMC Young Merchants, que apresentou o projeto e destacou o papel das segundas e terceiras gerações no reforço da dinâmica empresarial no setor. A responsável fez ainda um balanço das atividades desenvolvidas ao longo de 2025, incluindo encontros de networking, eventos Young Talks, participação em assembleias e reuniões do conselho consultivo, bem como iniciativas de convívio em várias regiões do país.
Para 2026, foi apresentado um plano de continuidade e expansão da rede, com aposta em sondagens regulares, captação de novos membros, organização de eventos presenciais e online, reforço de canais de comunicação internos e envio de newsletters temáticas. Está igualmente prevista a integração de iniciativas nos eventos da APCMC, com o objetivo de aumentar a participação dos jovens empresários e estimular a troca de conhecimento.
A sessão contou ainda com a apresentação de Bárbara Fraga, da empresa Logistema, que abordou o tema ‘Rumo à Excelência da Cadeia de Abastecimento: Resultados, Impactos e Próximos Passos da Transformação’. A oradora apresentou os resultados de um projeto de desenvolvimento da gestão da cadeia de abastecimento no setor, destacando a importância da evolução dos modelos logísticos para ganhos de eficiência, sustentabilidade e competitividade. O trabalho incluiu um diagnóstico da maturidade logística das empresas, planos de ação e a criação de um manual de boas práticas.
Os resultados apontam para uma maioria de empresas em nível intermédio de maturidade: com bases operacionais consolidadas, mas ainda com uma abordagem centrada na operação e menos na estratégia. Entre os principais desafios identificados destacam-se a digitalização, a gestão estratégica de stocks, a utilização de KPI estratégicos e a gestão do risco.
A visão apresentada aponta para uma evolução da supply chain mais integrada e digital, suportada por planeamento colaborativo, sistemas interligados e maior utilização de ferramentas analíticas e inteligência artificial, com impactos esperados ao nível da redução de custos, aumento da eficiência e reforço da resiliência das cadeias de abastecimento.
Após um momento de networking entre os participantes, a sessão prosseguiu com a intervenção de Júlia Brito e Daniela Lopes, da empresa Inova+, dedicada ao tema ‘Entre a oferta e a decisão: o novo espaço do setor. Reflexão sobre prioridades estratégicas para reforçar a competitividade do comércio de materiais de construção’. A apresentação integrou a reflexão estratégica ‘Beyond 2030’, sublinhando a transformação da construção num setor mais técnico, digital e sustentável, o que está a redefinir o papel do comércio na cadeia de valor. Neste contexto, o comércio passa a assumir uma função mais orientada para o apoio à decisão, através da disponibilização de informação técnica, dados de produto e suporte à prescrição.
Foi ainda destacado o desfasamento entre as pressões operacionais do dia a dia, como margens, custos logísticos e gestão de stocks – e as novas exigências do mercado, que requerem maior capacidade de aconselhamento técnico e integração de práticas de sustentabilidade.
Como resposta, a visão apresentada propõe o reposicionamento do comércio como ‘curador da oferta’ e parceiro na decisão, assente em três pilares: reforço da gestão empresarial, fortalecimento das relações na cadeia de valor e investimento em competências e liderança.
No final da sessão, foi lançado um contributo interativo ao público presente, através de respostas a questões sobre os desafios do setor, cujos resultados foram recolhidos em tempo real. A auscultação evidenciou preocupações transversais com capital humano, digitalização, cooperação e sustentabilidade como fatores críticos para a competitividade futura do setor.


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