A edição de 2026 da Tektónica – Feira Internacional da Construção encerrou portas com um crescimento expressivo em todos os indicadores, consolidando-se como evento de referência para o setor na Península Ibérica. Esta 28ª edição reuniu 400 expositores (mais 22%, face a 2025), com a participação de 15 países, e bateu recordes de participação, ultrapassando os 39.000 visitantes (mais 30% que no ano passado).
Como habitualmente, a NovoPerfil esteve presente na FIL, em Lisboa, como Media Partner da feira, e conversou com várias empresas do setor da envolvente do edifício que participaram na feira.
A redefinição da envolvente assenta hoje em “três eixos incontornáveis: a eficiência energética avançada, a descarbonização real e a digitalização transparente”. Segundo a Covipor, o mercado está a afastar-se definitivamente da lógica do produto ‘commodity’ para exigir soluções de alto valor acrescentado técnico.
“A envolvente deixou de ser uma barreira estática para passar a ser um elemento dinâmico de gestão energética do edifício. Isto implica a integração de vidros duplos e triplos com atributos técnicos de última geração e tecnologias que combatem os diferentes vetores da sua capacitação – térmica (isolamento e controlo solar), atenuação do ruído, segurança ativa e passiva”, explica, em entrevista à NovoPerfil, Francisco Ferreira, diretor técnico na Covipor Industries.
A circularidade e a necessidade de auditar os materiais ao longo do ciclo de vida do edifício “já não são aspirações, mas sim exigências regulamentares e de mercado que obrigam à adoção de processos industriais mais limpos e rastreáveis”, sublinha.
Neste contexto, como está a empresa a responder aos novos requisitos do setor, nomeadamente em desempenho térmico e acústico, durabilidade, rapidez de instalação e redução da pegada carbónica? “A nossa resposta assenta no rigor da engenharia industrial e no alinhamento estratégico com o novo panorama ESG (Environmental, Social, and Governance). Na Covipor, assumimos um envolvimento ativo com as metas de descarbonização e antecipamos o futuro regulatório através da apresentação do nosso Relatório de Sustentabilidade. Este documento reflete o cumprimento voluntário e antecipado dos deveres de transparência impostos pela Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD — Directiva (UE) 2022/2464), transposta para a legislação nacional”.
No plano puramente técnico, “este enquadramento traduz-se na otimização contínua das nossas composições de vidros duplos e triplos. Garantimos o cumprimento rigoroso dos requisitos mais exigentes para vãos envidraçados eficientes, combinando revestimentos de baixa emissividade e controlo solar avançados com um desempenho acústico superior”, detalha Francisco Ferreira.
Para responder às exigências de durabilidade e rapidez de instalação, o sistema Lumiglass ID atua ele próprio como “o braço tecnológico desta política de sustentabilidade e transparência”. Ao gravar a laser a identificação única diretamente no vidro, “asseguramos que o desempenho prometido em projeto e declarado nas nossas métricas corporativas corresponde exatamente àquilo que está instalado na caixilharia. O serralheiro, o instalador ou o fiscal de obra têm acesso instantâneo a todas as especificações e orientações do produto através de uma simples leitura no local, minimizando erros, eliminando tempos mortos em obra e garantindo a fiabilidade técnica que o mercado exige”, diz ainda.
A propósito, este produto foi o desenvolvimento mais relevante que a empresa apresentou na Tektónica 2026, e que mereceu a distinção do Prémio Inovação na categoria de Serviços. O Lumiglass ID é um passaporte digital de produto que se materializa através de um código QR único, gravado diretamente no vidro, sem comprometer a sua integridade ou estética”, sublinha o diretor técnico da Covipor.
Esta solução “revoluciona a envolvente ao introduzir a digitalização e a rastreabilidade total no seio da cadeia de valor. O Lumiglass ID permite o acesso imediato a toda a informação técnica e de desempenho do vidro, integrando estes dados diretamente em modelos digitais”, o que “confere uma enorme mais-valia na transparência técnica, no escrutínio das propriedades reais do vidro e na facilitação de processos de certificação ambiental de edifícios”, explica. “Numa altura em que celebrámos 75 anos de atividade, este sistema representa o nosso compromisso em dotar o mercado de ferramentas que valorizam o ativo imobiliário através do rigor dos dados”.
Na opinião de Luís Gameiro, técnico comercial da Cruzfer, a envolvente do edifício “deixou de ser encarada apenas como um elemento de separação entre o interior e o exterior” e hoje “assume um papel ativo na eficiência energética, na sustentabilidade e no conforto dos edifícios”.
As principais tendências que estão a redefinir o setor passam “pela crescente valorização da proteção solar exterior como primeira barreira aos ganhos térmicos, pela integração de estratégias passivas de climatização e ventilação natural, pela automação dos edifícios e pela procura de soluções mais duráveis, com menor necessidade de manutenção e reduzido impacto ambiental”. Paralelamente, “a reabilitação energética do parque edificado continua a ganhar importância, tornando a proteção solar um elemento essencial para melhorar o desempenho dos edifícios existentes sem intervenções estruturais significativas”, acredita o responsável.
Respondendo às novas exigências do mercado “através da seleção de soluções tecnicamente evoluídas e adaptadas às diferentes tipologias de edifícios”, a Cruzfer privilegia, na área da proteção solar, “sistemas exteriores que reduzem significativamente os ganhos térmicos antes de estes atingirem o vidro, contribuindo para diminuir o consumo energético associado à climatização. Trabalhamos igualmente com fabricantes europeus que desenvolvem produtos de elevada durabilidade, sujeitos a rigorosos ensaios de resistência ao vento, corrosão e envelhecimento”.
Segundo Luís Gameiro, outro aspeto cada vez mais valorizado é “a facilidade de integração em obra. A disponibilização de desenhos técnicos, apoio à prescrição e soluções construtivas bem definidas simplifica o trabalho de arquitetos, projetistas e instaladores, reduzindo tempos de execução e minimizando imprevistos”.
A nível de novidades, na Tektónica 2026, a Cruzfer reforçou a sua aposta em soluções de proteção solar exterior “que contribuem ativamente para o desempenho energético dos edifícios. Mais do que simples elementos de sombreamento, estes sistemas desempenham hoje um papel determinante no controlo da radiação solar, na redução das necessidades de climatização e na melhoria do conforto térmico e visual dos utilizadores”. Como sublinha Luís Gameiro, a empresa apresentou sistemas de estores de lâminas orientáveis e telas exteriores de elevada resistência ao vento, “capazes de responder às exigências da arquitetura contemporânea, conciliando desempenho técnico, estética e durabilidade”.
De acordo com o técnico comercial da Cruzfer, “assistimos a uma crescente integração da automação e da gestão inteligente destes sistemas, permitindo ajustar automaticamente o seu funcionamento às condições climatéricas, aumentando a eficiência e prolongando a vida útil dos equipamentos. Esta visão está igualmente alinhada com o compromisso da Cruzfer na promoção da construção de elevado desempenho energético, através da colaboração com a comunidade Passive House, contribuindo para a divulgação de soluções passivas que permitem edifícios mais eficientes e confortáveis”.
De acordo com Hugo Andrade, responsável de Marketing na Fibran Iberia, a primeira grande tendência do setor “é a passagem de uma análise centrada apenas no consumo energético durante a utilização do edifício para uma avaliação mais abrangente do seu desempenho ao longo de todo o ciclo de vida. A escolha dos materiais será cada vez mais influenciada não apenas pelo seu desempenho térmico, mas também pela durabilidade, utilização eficiente de recursos, manutenção, possibilidade de recuperação e informação ambiental disponível”, defende. A segunda tendência “é a crescente importância da reabilitação energética. Uma grande parte do parque edificado europeu necessita de intervenção, o que exige soluções que permitam melhorar o desempenho térmico sem introduzir cargas excessivas, alterar significativamente as cotas existentes ou aumentar a complexidade da obra”.
A empresa verifica também “uma evolução para soluções mais industrializadas, leves e secas, com maior preparação fora do local de aplicação. Esta abordagem permite reduzir tempos de execução, dependência de processos húmidos, desperdícios e variabilidade em obra”. Outra tendência fundamental é, na perspetiva de Hugo Andrade, “a valorização do detalhe construtivo. A eficiência energética da envolvente não depende apenas da espessura nominal do isolamento, mas da sua continuidade nos vãos, coberturas, fundações, platibandas e restantes pontos singulares”. Por último, “a digitalização, a rastreabilidade dos produtos, o BIM e os futuros passaportes digitais irão tornar a informação técnica e ambiental mais acessível e mais relevante na prescrição”.
A resposta da Fibran Iberia às novas exigências do mercado “parte do desenvolvimento de produtos e soluções adaptados à aplicação concreta, evitando uma abordagem baseada num único produto para todas as situações”.
Ao nível térmico, “trabalhamos com soluções em XPS destinadas a diferentes zonas da envolvente, com características ajustadas às exigências de resistência mecânica, exposição à humidade, geometria e utilização previstas. Paralelamente, temos vindo a reforçar o trabalho sobre a continuidade do isolamento e sobre os pontos singulares, onde pequenas falhas de projeto ou execução podem comprometer o desempenho global da solução”. No caso do desempenho acústico, “consideramos essencial analisá-lo ao nível do sistema construtivo completo. A massa dos elementos, a desacoplagem entre camadas, o tratamento das juntas, as selagens e a qualidade de execução são determinantes. A nossa intervenção passa, por isso, pela compatibilização do isolamento térmico com os restantes componentes da solução”, explica o responsável.
Em termos de durabilidade, “a baixa absorção de água, a resistência mecânica e a estabilidade do XPS permitem a sua utilização em zonas particularmente exigentes, como coberturas invertidas, pavimentos, fundações e elementos em contacto com o terreno”. Por outro lado, “soluções leves e secas, como o FIBRANxps INCLINE, e componentes produzidos à medida permitem também simplificar a instalação, reduzir cargas, minimizar desperdícios e melhorar a previsibilidade da execução”. Em suma, “a redução da pegada carbónica deve resultar desta combinação entre desempenho térmico, durabilidade, otimização do material e maior vida útil das soluções”, conclui.
Na Tektónica 2026, a Fibran Iberia demonstrou que a evolução da envolvente do edifício não depende apenas da melhoria individual dos materiais, mas sobretudo da forma como estes são integrados e compatibilizados nos pontos mais críticos da construção.
Um dos desenvolvimentos em destaque foi o pré-aro em XPS, uma solução concebida para reforçar a continuidade do isolamento térmico no perímetro dos vãos. “As ligações entre parede, caixilharia, isolamento, selagens e revestimentos representam frequentemente zonas de descontinuidade, com potencial para originar pontes térmicas, condensações e patologias. O expositor apresentado na feira permitiu demonstrar, à escala real, a importância de abordar o vão como um sistema integrado e não como um conjunto de componentes independentes”.
A empresa destacou ainda o FIBRANxps INCLINE, integrado no Sistema OPTIMO para coberturas planas. Esta solução “permite criar a pendente necessária ao escoamento da água através de painéis de isolamento térmico inclinados, reduzindo a necessidade de recorrer a betonilhas de pendente mais pesadas. Desta forma, é possível reduzir cargas permanentes, otimizar a espessura total da cobertura e aumentar simultaneamente a sua resistência térmica”.
Como sublinha Hugo Andrade, “estas soluções representam uma evolução para uma abordagem mais orientada para o projeto, para o detalhe construtivo e para a resolução de problemas concretos da envolvente”.
Miguel Calado, diretor do departamento de Caixilharia da Rehau Window Solutions, acredita que a envolvente do edifício “está a evoluir para um conceito cada vez mais eficiente, sustentável e inteligente. A descarbonização continua a ser um dos principais motores do setor, impulsionando a procura de soluções que permitam reduzir o consumo energético e as emissões associadas ao longo de todo o ciclo de vida do edifício”.
Neste contexto, “a eficiência energética já não é o único fator determinante”, afirma. “A sustentabilidade, a rastreabilidade dos materiais, a digitalização e a capacidade de adaptação às novas exigências normativas e dos utilizadores estão a assumir um papel cada vez mais relevante. Atualmente, a envolvente além de oferecer um elevado desempenho, deve ser capaz de fornecer informação, facilitar a manutenção e contribuir para uma gestão mais eficiente dos recursos”. A eficiência energética “continua a ganhar destaque como uma das principais ferramentas para melhorar o parque imobiliário existente”, enquanto “a industrialização e a integração de novas tecnologias permitem otimizar processos e aumentar a qualidade das soluções construtivas”, detalha Miguel Calado.
“Na Rehau, acreditamos que o futuro da caixilharia passa pela combinação de inovação tecnológica, sustentabilidade e facilidade de utilização por parte do cliente final. A evolução da janela é um exemplo claro: deixou de ser um elemento passivo para se tornar uma parte da evolvente capaz de proporcionar eficiência, conforto, informação e valor acrescentado ao longo de toda a sua vida útil”, conclui.
A resposta da empresa às atuais tendências “assenta na inovação contínua e numa visão abrangente do desempenho das janelas, quer na parte tecnológica dos sistemas de perfis quer na matéria-prima utlizada”. Um exemplo é o sistema Premium ARTEVO, concebido para atingir níveis excecionais de eficiência energética e dimensionamento. “Graças à incorporação da tecnologia LowE no interior do perfil, o isolamento térmico é significativamente melhorado sem comprometer a reciclabilidade do sistema, contribuindo para a redução do consumo energético e da pegada de carbono dos edifícios”, explica o diretor do departamento de Caixilharia da Rehau.
A empresa continua a apostar no PVC como um material altamente eficiente, duradouro e totalmente reciclável, “capaz de oferecer excelentes prestações térmicas e acústicas a longo prazo”, o que “permite aumentar o conforto interior e reduzir as necessidades energéticas, tanto em obras novas como em renovações”. Ao mesmo tempo, aposta em processos de produção cada vez mais eficientes em termos energéticos e numa gestão responsável dos recursos através do processo de reciclagem, “alcançando atualmente uma média de cerca de 60% de material reciclado nos perfis utilizados, contribuindo, assim, para uma redução da pegada de carbono”, avança o responsável.
Na Tektónica 2026, a Rehau apresentou o seu sistema Premium mais recente, um sistema de batente de 80 mm de profundidade com tripla junta e possibilidade de colocação de vidros até 56 e até 72 mm de espessura. Como sublinha Miguel Calado, este produto “destaca-se pela composição da matéria-prima designada RAUFIPRO, um composto de PVC com fibra de vidro que confere ao perfil uma maior rigidez, possibilitando realizar vãos de maior dimensão e evitar a utilização de reforço para as medidas mais usuais no mercado nacional. A não utilização de reforço e a possibilidade de colocar o laminado LowE permite um isolamento térmico do perfil de Uf = 0,82 W/m2K e um isolamento acústico Rw de 48 dB. Além disso, a não utilização de reforço resulta num caixilho mais leve e mais fácil de transportar e instalar. A parte estética também foi considerada, apresentando-se um perfil com linhas mais retilíneas e esbeltas”. Segundo o responsável, todos estes fatores “vão de encontro às exigências do mercado quer em termos de eficiência térmica e acústica quer termos de arquitetura com vãos de maiores dimensões e mais esbeltos”.
A envolvente do edifício “está a assumir um papel cada vez mais estratégico na resposta aos desafios da descarbonização, da eficiência energética e do conforto dos utilizadores”, corrobora Rui Oliveira diretor da Saint-Gobain Solutions Portugal.
A empresa identifica “cinco grandes tendências que estão a marcar a evolução do setor”: maior exigência em desempenho energético, impulsionada pela regulamentação europeia e pelos objetivos de neutralidade carbónica; industrialização e construção leve, com sistemas mais rápidos de instalar, menos dependentes de mão de obra intensiva e mais eficientes em obra; integração de soluções, substituindo abordagens centradas em produtos isolados por sistemas completos e compatíveis entre si; redução da pegada ambiental dos edifícios, através da utilização de materiais com Declarações Ambientais de Produto (DAP) e soluções que apoiam a obtenção de certificações como BREEAM e LEED; e valorização do conforto interior, com crescente atenção ao desempenho térmico, acústico e à qualidade dos espaços.
Segundo Rui Oliveira, “estas tendências estão totalmente alinhadas com a estratégia Lead & Grow, que reforça a capacidade da Saint-Gobain para desenvolver soluções integradas capazes de responder às exigências técnicas, ambientais e económicas dos projetos atuais”.
Nas palavras do diretor, a resposta da empresa aos atuais desafios a nível de desempenho “passa por uma abordagem integrada, que combina diferentes tecnologias e especialidades para oferecer soluções completas para todo o ciclo da construção”. No caso da envolvente do edifício, os sistemas Enveo são um exemplo claro desta estratégia: “ao integrar isolamento em lã mineral, placas de gesso para exterior e diferentes opções de revestimento, conseguimos assegurar elevados níveis de desempenho térmico e acústico, resistência ao fogo, durabilidade e flexibilidade arquitetónica”.
A rapidez de instalação “é igualmente uma prioridade, pois a construção leve permite reduzir significativamente os tempos de execução e a complexidade logística em obra, afirma, “contribuindo para ganhos de produtividade num contexto em que a disponibilidade de mão de obra continua a ser um desafio para o setor”.
Em matéria de sustentabilidade, “procuramos atuar em duas áreas: reduzir o impacto ambiental dos materiais e melhorar o desempenho dos edifícios durante a sua utilização”, refere Rui Oliveira, comentando que “soluções como o Enveo dispõem de documentação técnica reconhecida internacionalmente e contribuem para a redução das emissões de CO₂ associadas à operação dos edifícios”.
A principal novidade apresentada pela Saint-Gobain na Tektónica em 2026 para a área da envolvente do edifício foram, justamente, os sistemas Enveo, uma nova geração de soluções de construção leve para fachadas “que materializa a estratégia Lead & Grow e a nossa visão de soluções integradas para a construção”. Estes sistemas combinam tecnologias das marcas Isover, Placo e Weber numa única solução, “o que permite responder de forma integrada aos desafios atuais do setor: eficiência energética, rapidez de execução, desempenho técnico e sustentabilidade”. Entre os principais benefícios destacam-se “a redução de cerca de 40% do tempo de execução em obra, a diminuição significativa da logística associada, com menos 70% de movimentação de paletes, e elevados níveis de desempenho térmico, acústico e resistência ao fogo”, adianta Rui Oliveira.
A Saint-Gobain Portugal tem reforçado a sua capacidade para disponibilizar soluções integradas para a construção sustentável, enquanto responde aos principais desafios que o setor enfrenta, uma abordagem que “permite atuar de forma consistente em diferentes segmentos – residencial, não residencial e infraestruturas – e em diferentes áreas do edificado”, esclarece ainda. Em linha com esta evolução estratégica, a empresa apresentou também na Tektónica as marcas de tetos Gabelex, Ecophon e Eurocoustic, os aditivos de betão e cimento da marca Chryso, a sua oferta na área dos químicos para construção - através das marcas GCP e Fosroc - que se juntam às insígnias Isover (soluções de isolamento), Placo (soluções em gesso), Weber (argamassas industriais) e Climalit (soluções em vidro duplo).
Desta forma, “a nossa atuação abrange áreas fundamentais como o isolamento térmico e acústico, sistemas de construção para interiores e exteriores, soluções para fachadas e envolvente do edifício, tetos (gesso, metálicos e acústicos), pavimentos, impermeabilização, colagem e betumação e a proteção e reparação de betão, além de ir ao encontro de atividades como obras de arte de engenharia (túneis, pontes e viadutos), vias de comunicação (ferrovias e rodovias), e projetos no campo das energias renováveis”. Num momento em que “o setor é desafiado a construir melhor, mais rapidamente e com menor impacto ambiental”, a integração destas diferentes áreas de especialização “permite otimizar recursos, melhorar a produtividade em obra e reduzir a pegada carbónica dos edifícios, sem comprometer o conforto, a durabilidade ou a viabilidade económica dos projetos”, conclui Rui Oliveira.
Na opinião de Olga Semenchenko, administradora da WinDoor, existem várias tendências que estão a moldar o sector: “as diretrizes europeias estão a elevar a fasquia regulamentar com metas de edifícios de emissões nulas e normas mínimas de desempenho térmico e acústico”. E “a digitalização dos processos produtivos e comerciais está a transformar a forma como o setor opera, embora a adoção no tecido PME tenha um longo caminho a percorrer”.
Já a reabilitação do parque edificado, “envelhecido e energeticamente ineficiente, está a afirmar-se como o grande motor de procura dos próximos anos”. Também a industrialização dos processos construtivos “avança, com o desafio permanente de manter a personalização que os projetos exigem”. E, transversalmente, “a escassez de mão de obra qualificada obriga todo o setor a investir em formação e em processos mais eficientes”. Para Olga Semenchenko, “são desafios exigentes, mas que apontam numa direção clara: um setor mais profissionalizado, mais técnico e com maior valor acrescentado”.
Neste contexto, a WinDoor está a responder às novas exigências “com uma estratégia assente no controlo vertical de toda a cadeia de valor”. A empresa “fabrica, envidraça e instala com equipas próprias, o que nos permite garantir desempenho, prazos e qualidade de forma integrada”, explica a administradora.
No desempenho térmico e acústico, “os nossos perfis PVC Cortizo proporcionam valores de isolamento que respondem às exigências mais avançadas do mercado. No clima português, o impacto mais imediato para o cliente é a eliminação de condensação, e o conforto acústico e térmico”. Na rapidez de instalação, “a produção nacional e a integração fabril permitem-nos encurtar prazos tanto em obra nova como em reabilitação”. Já na redução da pegada carbónica, “apostamos no PVC, um material intrinsecamente isolante, com durabilidade comprovada superior a 40 anos e reciclável em fim de vida. A produção em duas fábricas em Portugal, nomeadamente Lisboa e Aveiro, reduz ainda a pegada logística associada ao transporte de produto acabado”, detalha a responsável.
Segundo Olga Semenchenko, foi crucial para a WinDoor marcar presença na Tektónica 2026, onde apresentou a sua aposta em soluções de caixilharia PVC de alto desempenho, com destaque para três áreas: “no isolamento acústico, os sistemas Cortizo A70 (cinco câmaras) e A84 de folha oculta, combinados com vidro laminado acústico, permitem atingir até 46 dB de isolamento acústico. Uma resposta direta à crescente exigência urbana e a programas como o Menos Ruído, que subsidia a substituição de janelas em zonas de exposição ao ruído aeroportuário na região de Lisboa; na eficiência térmica, a série A84 atinge valores de Uw desde 0,74 W/m²K, alinhados com as metas exigentes da regulamentação europeia, numa estética minimalista de folha oculta que responde à linguagem arquitetónica contemporânea; na sustentabilidade, o PVC oferece uma equação muito competitiva: isolamento térmico intrínseco, durabilidade superior a 40 anos, manutenção mínima e reciclabilidade em fim de vida. Aliado à nossa produção 100% nacional, com duas fábricas e vidreira própria, isto traduz-se também numa pegada logística reduzida”, sublinha.
Enquanto consultora tecnológica com atuação no setor da construção, entre outros, a Winsig entende que “a envolvente do edifício está a ser marcada por uma maior exigência técnica, maior pressão sobre os custos e uma preocupação crescente com a eficiência energética, o desempenho térmico e acústico”.
De acordo com Nuno Archer, CEO da empresa, “a principal tendência é a integração da informação. Face à diversidade de materiais e entidades envolvidas, já não chega gerir obras com ficheiros isolados ou informação dispersa; é necessário integrar orçamentação, compras, subempreitadas, materiais, equipamentos, mão de obra, autos de medição e controlo financeiro”. Outra tendência relevante “é a necessidade de conhecer, em tempo útil, a rentabilidade real de cada projeto para corrigir desvios antes que comprometam a margem da obra”, sublinha.
Na Winsig, a digitalização é um meio para centralizar as informações no sistema de gestão Cegid PHC de forma mais rápida e ágil. Desta forma, “as empresas conseguem aliviar o trabalho administrativo das equipas operacionais e libertá-las para tarefas de valor acrescentado. Este facto é fundamental para aquelas que precisam de controlar melhor os prazos, custos, recursos e margens. No contexto da envolvente do edifício, esta capacidade é relevante porque permite maior controlo sobre a execução, os materiais, as subempreitadas, os equipamentos e os custos associados a cada obra”, comenta Nuno Archer.
De acordo com o CEO, na última edição da Tektónica a Winsig destacou o WIN Construção, uma solução desenvolvida pela empresa e integrada com o Cegid PHC, criada para apoiar as empresas do setor da construção na gestão das suas obras. “Esta solução permite acompanhar os custos e as receitas por projeto, controlar os autos de medição, gerir contratos de subempreitada, controlar os custos de obra, acompanhar os equipamentos e ter informação atualizada sobre o desempenho de cada projeto”, explica Nuno Archer. O principal objetivo do WIN Construção é “dar às empresas uma visão mais clara da rentabilidade de cada obra, com informação fiável, acessível, integrada e em tempo real no sistema de gestão Cegid PHC”, destaca.
Na próxima edição da NovoPerfil, apresentamos ao leitor a segunda parte desta reportagem, na qual estas que são algumas das principais empresas da envolvente do edifício em Portugal projetam os desafios e oportunidades do setor, a curto prazo, face ao atual contexto económico e regulatório europeu.



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