Informação profissional sobre a Envolvente do Edifício
Projeto londrino aposta na circularidade, na reutilização de materiais e em soluções avançadas de envidraçamento

Super Spacer, da Quanex, contribui para a estratégia Net Zero do 2 Finsbury Avenue

06/08/2026

Embora o conceito de ‘emissões líquidas nulas de carbono em operação' se tenha tornado prática corrente em muitos novos empreendimentos, o complexo de arranha-céus 2 Finsbury Avenue (2FA), em Londres, eleva esta ambição a um patamar completamente diferente. Em conjunto, os parceiros do projeto – British Land, GIC e Modon, em colaboração com o gabinete de arquitetura dinamarquês 3XN GXN – procuram alcançar um objetivo que apenas um número reduzido de grandes empreendimentos em todo o mundo assumiu: atingir a neutralidade carbónica não apenas ao nível das emissões operacionais, mas também das emissões de carbono incorporado associadas à construção e ao fabrico.

Foto: Quanex
Foto: Quanex.

Os vidros fornecidos pela AGC Interpane contribuem para este objetivo de várias formas. O vidro de base utilizado possui a certificação ‘Cradle to Cradle Bronze’. Os revestimentos especificamente desenvolvidos para o projeto ajudam a reduzir as necessidades de aquecimento e arrefecimento e, consequentemente, a pegada de carbono operacional do edifício. Além disso, o espaçador flexível Super Spacer T-Spacer SG, da Edgetech Europe/Quanex, foi especificado para garantir a durabilidade a longo prazo e a estanquidade ao gás das unidades de vidro estrutural de grandes dimensões durante várias décadas.

A circularidade como base do conceito Net Zero

A GXN Innovation, a unidade de inovação criada pela 3XN em 2007, identifica o conceito de ‘Urban Upcycling’ como um dos pilares fundamentais para atingir a meta de ‘Net Zero Carbon in Construction’ estabelecida para o projeto. Antes da demolição dos dois edifícios existentes, construídos na década de 1980, foi realizada uma auditoria exaustiva, que permitiu identificar e catalogar oportunidades de reutilização e valorização de materiais.

Como resultado, 98 vigas de aço foram aprovadas para reutilização, aproximadamente 2500 m³ de betão foram recuperados, triturados e reutilizados nas fundações do novo edifício, cerca de 9500 m² de ladrilhos foram armazenados para futura reutilização, aproximadamente 100 toneladas de aço foram incorporadas na nova estrutura e diversos elementos da antiga fachada de alumínio foram reutilizados no revestimento da nova rampa para bicicletas.

Em conjunto com outras medidas, como a utilização de aço produzido em forno elétrico de arco, estas iniciativas permitiram reduzir as emissões de carbono incorporado do edifício, dos 755 kg de CO2 equivalente por metro quadrado inicialmente previstos para cerca de 647 kg de CO2 equivalente por metro quadrado.

Ao mesmo tempo, o edifício foi concebido de forma a permitir que muitos dos seus componentes, incluindo a fachada, possam ser desmontados e reutilizados no final da respetiva vida útil. Para além do objetivo de alcançar a neutralidade climática, o projeto pretende ainda obter a classificação ‘Outstanding’ da BREEAM, a classificação ‘Platinum’ da Well e a classificação máxima de cinco estrelas da NABERS.

Espaços de trabalho flexíveis no Campus Broadgate

Localizado na extremidade noroeste do Campus Broadgate, na City de Londres, junto à estação de Liverpool Street, o 2FA representa a fase final da transformação de Broadgate num bairro urbano de utilização mista. O empreendimento é composto por duas torres com 23 e 38 pisos, ligadas por um pódio com 12 andares. Com uma área aproximada de 100.000 metros quadrados, o edifício disponibiliza espaços de trabalho flexíveis, concebidos para responder a uma grande diversidade de modelos de trabalho e necessidades empresariais.

O conceito foi deliberadamente concebido para ir além do modelo tradicional de edifício de escritórios. Os espaços partilhados de trabalho e de eventos, um estúdio de podcast e um jardim de inverno com cafetaria, com cerca de 650 metros quadrados, criam condições adicionais para a colaboração, a partilha de conhecimento e o trabalho informal. Está igualmente prevista a instalação de um Learning Hub no rés-do-chão, concebido como um espaço público destinado à realização de eventos e de atividades educativas dirigidas à comunidade.

Uma fachada de elevada complexidade técnica

Foto: Quanex
Foto: Quanex.

Ao contrário de outros arranha-céus londrinos frequentemente associados a formas icónicas, como os gherkins e os shards, as torres do 2FA, com 156 e 101 metros de altura, conferem uma elegância cristalina e uma geometria rigorosamente definida à linha do horizonte da cidade. À medida que os visitantes se aproximam do empreendimento, a sofisticação técnica da fachada torna-se cada vez mais evidente.

A fachada foi concebida como um relevo tridimensional em dente de serra, cuidadosamente desenhado para captar a luz e os reflexos de diferentes formas, alterando continuamente a aparência do edifício. Faixas diagonais de alumínio, em tom de areia dourada, dividem a fachada em superfícies triangulares facetadas. Ao longo destas linhas, a orientação da geometria serrilhada inverte-se igualmente.

Do ponto de vista estrutural, a solução assenta num sistema modular de fachada com envidraçamento estrutural. Os módulos-padrão medem 1500 × 3875 mm e integram uma zona envidraçada, uma área opaca do tipo spandrel (shadow box) e uma secção revestida com perfis de alumínio prensados. As unidades de vidro isolante atingem dimensões de aproximadamente 1060 × 2950 mm.

Durante vários meses, a equipa responsável pelo projeto – composta pela 3XN e pela Adamson Associates, na qualidade de arquitetos executivos, pelo empreiteiro principal Sir Robert McAlpine, pelo especialista em fachadas Focchi Group e pelas empresas de consultoria FMDC e Ramboll – concentrou os seus esforços na concretização dos objetivos de neutralidade climática, o que influenciou decisivamente o desenvolvimento da fachada.

A solução tinha de maximizar a entrada de luz natural nos espaços de escritórios, evitando simultaneamente um aumento desnecessário das necessidades de arrefecimento. As simulações demonstraram que os maiores ganhos solares ocorreriam durante o período da tarde, influenciando diretamente a orientação da geometria serrilhada.

Esta configuração é, por isso, muito mais do que um elemento de conceção arquitetónica. Trata-se de uma componente fundamental da estratégia energética do edifício.

As especificações do vidro foram desenvolvidas em conformidade com estes requisitos. A solução escolhida consiste numa unidade de vidro isolante com controlo solar, equipada com um revestimento Stopray Vision-52 aplicado na face 4, uma caixa de ar de 18 mm preenchida com árgon, o espaçador flexível Super Spacer T-Spacer SG e vidro de segurança laminado em ambos os painéis. O painel exterior integra ainda uma película intermédia de PVB com propriedades de isolamento acústico.

Com uma transmissão luminosa de aproximadamente 50%, o vidro apresenta um valor g de cerca de 25% e um valor Ug de 1,0 W/(m²K).

Ao nível do rés-do-chão, foi adotado um sistema de fachada de montantes e travessas, equipado com vidros de controlo solar e isolamento térmico, recorrendo ao vidro Clearvision, de baixo teor de ferro, e aos revestimentos iplus, de baixa emissividade e tonalidade neutra. Esta configuração assegura uma transmissão luminosa mínima de 75%, uma transmitância total de energia solar não superior a 60% e um valor Ug de 1,1 W/(m²K).

As secções opacas da fachada desempenham igualmente uma importante função climática. Um em cada dois painéis é perfurado e integra aberturas de ventilação acionadas por sensores, que podem ser abertas sempre que necessário para permitir a entrada natural de ar exterior.

Nas aberturas de maiores dimensões do relevo em dente de serra, designadas ‘Amenity Cuts’ e ‘Amenity Terrace’, a geometria da fachada evolui para um sistema plano de envidraçamento estrutural. Estas áreas acolhem os espaços comuns destinados ao lazer e à convivência.

Os elementos totalmente envidraçados são estruturados através de montantes com pé-direito duplo e apoiados exclusivamente sobre a laje do piso inferior, enquanto um elemento estrutural diagonal absorve as cargas provocadas pelo vento.

Com dimensões que podem atingir 2500 × 7500 mm, as unidades de vidro isolante destas áreas apresentam proporções substancialmente superiores às das restantes zonas do edifício. Consequentemente, a estrutura de suporte foi reforçada para resistir às cargas adicionais. Uma vez que estas superfícies estão sujeitas a uma exposição solar mais intensa, as áreas ‘Amenity Cuts’ incorporam vidro Saint-Gobain Cool-Lite.

Nos pontos em que as diagonais das ‘Amenity Cuts’ cruzam com as alterações de direção da geometria serrilhada, surgem os denominados nós ‘Snowflake’, considerados as zonas de maior complexidade técnica de toda a fachada. Nos oito cantos do edifício, até dez componentes distintos convergem num único elemento, complementado por sistemas de estanquidade ao ar e à água especificamente concebidos para esta aplicação.

No total, cerca de 130 elementos da fachada apresentam esta configuração.

Sistemas de vedação de elevada durabilidade para envidraçamento estrutural

As unidades de vidro isolante foram fabricadas pela AGC Interpane, em Plattling, recorrendo ao espaçador de borda quente Super Spacer T-Spacer SG, uma variante da família Super Spacer desenvolvida especificamente para aplicações de envidraçamento estrutural.

“A decisão de utilizar o sistema Super Spacer foi simultaneamente estratégica e económica. Em projetos como o 2 Finsbury Avenue, temos de garantir que a vedação periférica mantém as suas propriedades durante décadas. Graças à automatização do processo de aplicação, conseguimos assegurar este nível de qualidade de forma consistente e economicamente eficiente”, explica Daniel Bruckelt, diretor de produção de vidro isolante.

Nas fachadas de envidraçamento estrutural, a geometria do espaçador assume uma importância determinante. Embora o vedante secundário exterior de silicone assegure a proteção contra a radiação ultravioleta, este material é permeável ao gás. Consequentemente, a retenção de gás a longo prazo depende inteiramente do vedante primário interior de poliisobutileno (PIB).

Para responder a esta exigência, o T-Spacer SG apresenta superfícies laterais de contacto mais amplas, permitindo a aplicação de uma camada de PIB mais espessa e uniforme em linhas de produção automatizadas, assegurando simultaneamente elevados níveis de precisão e tolerâncias rigorosas.

Este aspeto assume particular importância em aplicações de grandes dimensões, caracterizadas por perfis visíveis de reduzida espessura, tanto do ponto de vista estético como em termos de estabilidade estrutural. Uma aplicação mais homogénea do PIB traduz-se numa retenção de gás mais eficaz ao longo de toda a vida útil do vidro.

“As unidades de vidro isolante de grandes dimensões podem pesar várias toneladas e, ainda assim, revelar uma grande sensibilidade às solicitações mecânicas. As cargas de vento, as variações de temperatura, as diferenças de pressão e a dilatação térmica dos materiais provocam esforços contínuos sobre o sistema de vedação periférica. A elasticidade do espaçador constitui, por isso, uma vantagem decisiva, uma vez que lhe permite absorver estes movimentos e reduzir significativamente o risco de falha da vedação, perda de gás e aparecimento de fissuras por tensão ao longo do perímetro”, afirma Christoph Rubel, diretor técnico da Edgetech Europe.

Mike Moran, vice-presidente de vendas da Edgetech/Quanex para a Europa e o Reino Unido, recorda a origem do Super Spacer: “o primeiro espaçador não metálico de borda quente, fabricado a partir de espuma estrutural de silicone, representou uma verdadeira revolução quando foi lançado, em 1989. Não só contribuiu para o desenvolvimento de envolventes de edifícios mais eficientes do ponto de vista energético e térmico, como também ajudou a criar ambientes interiores mais confortáveis. O facto de esta solução ser hoje utilizada de forma tão natural num projeto emblemático como o 2 Finsbury Avenue é motivo de grande satisfação para todos nós”.

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