A mudança acompanha a evolução da própria construção. A procura por edifícios mais eficientes, confortáveis e acessíveis obriga a olhar para componentes que, apesar das suas dimensões discretas, condicionam o funcionamento de toda a envolvente. Nas caixilharias, a ferragem influencia o fecho, a compressão dos vedantes, a resistência ao desgaste e a facilidade de manobra. Nas portas, contribui para a ergonomia, a continuidade visual e a identidade dos espaços.
“Percebeu-se que [as ferragens] são o ponto de contacto direto entre o edifício e as pessoas: é algo que se toca e se usa todos os dias, durante décadas”, observa Daniela Castro, diretora de marketing da Tupai. Na sua leitura do mercado português, os profissionais estão hoje mais informados e exigentes, valorizando não apenas a estética, mas também “o desempenho, segurança, resistência, conformidade normativa e durabilidade”.
A capacidade de resposta dos fabricantes passou igualmente a pesar na escolha. Fatores como prazos fiáveis, apoio técnico e flexibilidade para adaptar soluções assumem maior importância, a par de uma maior atenção à origem dos produtos e aos processos utilizados no seu fabrico.
Nas caixilharias, a evolução das ferragens está ligada à necessidade de responder a vãos maiores, folhas mais pesadas e exigências de utilização diversificadas, tal como refere a Cruzfer: “a ferragem deixou de ser apenas um elemento mecânico de abertura e fecho, passando a contribuir para o desempenho global da caixilharia”.
A empresa identifica entre as principais tendências a redução do esforço de manobra, as soluções ocultas, a possibilidade de afinação e a integração com sistemas de ventilação, motorização, automatização e controlo de acessos.
A segurança e a estanquidade dependem, em grande medida, da forma como a ferragem mantém a folha na posição correta e assegura a compressão dos vedantes: “Na estanquidade, é essencial assegurar uma pressão de fecho uniforme, contribuindo para o desempenho da caixilharia face ao ar e à água”, sublinha a Cruzfer. A distribuição dos pontos de fecho, a robustez dos componentes e a resistência à corrosão e ao desgaste são, por isso, aspetos determinantes.
A ferragem é, assim, “analisada, hoje em dia, como parte integrante do desempenho do vão, em conjunto com o perfil, o vidro, os vedantes e a instalação”, considera a empresa. O objetivo deixa de ser apenas garantir a abertura e o fecho e passa por assegurar o comportamento esperado do conjunto.
Na construção nova, os componentes podem ser definidos desde o início em função da arquitetura, das dimensões dos vãos e das exigências de utilização. Na reabilitação, o cenário é mais condicionado: há caixilharias existentes, limitações de espaço, dimensões específicas e sistemas de fixação que nem sempre possibilitam a substituição direta: “ao contrário da construção nova, em que todos os componentes podem ser definidos de raiz, na reabilitação é essencial garantir a compatibilidade entre a nova ferragem e a caixilharia existente”, explica a Cruzfer. A versatilidade das soluções e o apoio técnico tornam-se, por isso, particularmente relevantes.
Também as exigências regulamentares influenciam a especificação. A seleção não pode limitar-se à compatibilidade dimensional ou ao desenho do produto: é necessário considerar o comportamento do conjunto e as condições reais de utilização.
A ventilação é um exemplo dessa articulação. Entre as soluções destacadas pela Cruzfer, dentro do portefólio da empresa, estão os sistemas UNI-JET Climate/SeClimate, que permitem ventilação natural mantendo a segurança da janela. A empresa realça ainda os sistemas de microventilação que criam uma abertura perimetral reduzida da folha, permitindo renovar o ar sem recorrer à abertura convencional da janela.
A integração tecnológica é outra das linhas de evolução das ferragens. A motorização, os sensores e os sistemas de controlo de acessos aproximam estes componentes da lógica dos edifícios inteligentes. Já as soluções para grandes vãos respondem a novas exigências de utilização e acessibilidade. “A ferragem deverá estar cada vez mais ligada a sistemas de controlo de acessos, sensores, motorização e gestão inteligente dos edifícios”, antecipa a Cruzfer. A empresa destaca, neste contexto, o GU 923, para sistemas de harmónio, o GU 934, para soluções elevadoras, e o PSL, orientado para grandes vãos, folhas pesadas e acessibilidade.
Para as portas, aponta ainda as soluções GU-Secury, que conjugam segurança e conforto de utilização, bem como sistemas de motorização e controlo de acessos.
A evolução tecnológica não elimina, contudo, as exigências mecânicas fundamentais: os componentes continuam a ter de suportar os esforços previstos e funcionar de forma fiável.
Nas ferragens de arquitetura, a evolução técnica cruza-se diretamente com as preferências por determinadas opções estéticas, nomeadamente superfícies contínuas, portas embutidas e soluções minimalistas. Em alguns projetos, a ferragem procura desaparecer, enquanto noutros assume deliberadamente um papel de destaque.
Na Tupai, a procura por formas mais depuradas traduz-se em soluções como a série 5S, com rosetas de cinco milímetros, e a linha minimal, com soluções de dois milímetros. “Menos volume visual exige mais engenharia”, ressalta Daniela Castro. Por exemplo, a redução da espessura envolve, segundo a responsável, desafios de conceção, materiais e processos de fabrico. “A inovação só faz sentido quando responde a uma necessidade concreta do projeto”, acrescenta.
A escolha dos materiais acompanha também a diversidade da arquitetura contemporânea. A Tupai trabalha latão, aço inoxidável, alumínio, zamak e bronze, materiais que permitem responder a diferentes exigências técnicas e intenções estéticas.
Quanto à coerência entre peças, a possibilidade de manter uma linguagem comum em puxadores, fechos de janela, rosetas e outros acessórios permite dar continuidade ao desenho em diferentes pontos do edifício, fazendo da ferragem uma componente da composição global dos espaços.
Os acabamentos mate, escovados e texturizados respondem à procura por diferentes qualidades visuais e táteis, enquanto os tons quentes, o latão natural e as cores inspiradas em elementos minerais e terrosos aproximam as ferragens de materiais como a madeira, a pedra e o betão. O preto e os tons escuros continuam também presentes.
A Tupai disponibiliza mais de 100 acabamentos, realizados na própria fábrica. A coleção LUME explora, por exemplo, azul, verde, bordeaux, castanho, terra, rose gold e bege, combinando tonalidades com texturas e reflexos que variam consoante a luz. “O mercado pede cada vez mais cor”, afirma Daniela Castro. O acabamento não é, contudo, apenas uma decisão visual: tem de responder ao contacto frequente, ao desgaste e às condições de utilização.
A linha Natural Brass segue outra abordagem, apresentando o latão sem tratamento químico e permitindo que o material desenvolva uma pátina própria com o tempo e o uso. A proposta valoriza a expressão natural da matéria e integra o envelhecimento na linguagem do projeto.
Na Tupai, as novidades incluem ainda a dobradiça invisível 1717, da XYZ Series, a gama ANUX, em alumínio, e a PRIVÉ, que integra o sistema de privacidade no próprio puxador, reduzindo os elementos visíveis na porta.
A qualidade final depende também do processo de fabrico. Na Tupai, a produção em Águeda remonta a 1976 e reúne, na mesma unidade, engenharia, desenvolvimento, produção, acabamentos, montagem e controlo de qualidade. O processo integra operações como estampagem a quente e a frio, injeção, fundição, corte, maquinação, polimento, galvanização e pintura. A integração destas etapas permite assegurar a consistência entre lotes, assegurar rastreabilidade e adaptar soluções às necessidades dos projetos. A tecnologia tem um papel importante na precisão e repetibilidade dos processos, mas não substitui o trabalho manual qualificado. “A tecnologia é determinante na precisão da maquinação e na repetibilidade dos processos, mas continua a coexistir com trabalho manual qualificado, sobretudo no polimento e nos acabamentos”, explica Daniela Castro.
A sustentabilidade cruza-se com estas escolhas. Uma ferragem durável reduz a necessidade de substituição, enquanto a utilização de metais recicláveis, a reintegração de materiais, a gestão de recursos, a redução de resíduos e emissões e o recurso a energias renováveis fazem parte da abordagem apresentada pela empresa.
A Tupai indica as certificações ISO 9001:2015 e ISO 14001:2015, bem como a distinção SIBS ESG Reporting Steward: “sustentabilidade é algo que se demonstra, não apenas algo que se declara”, sintetiza Daniela Castro.
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