Entrevista a Paulo Vaz, administrador executivo da Exponor
A construção colaborativa será o grande eixo conceptual da Concreta 2026, numa edição onde os visitantes “encontrarão soluções inovadoras ao nível de fachadas ventiladas, caixilharias de elevado desempenho térmico, vidros inteligentes, sistemas de proteção solar, materiais recicláveis, novos isolamentos e soluções industrializadas que melhoram simultaneamente a eficiência energética e a qualidade construtiva”. Em entrevista, Paulo Vaz, administrador executivo da Exponor, defende que a envolvente do edifício é hoje um dos principais fatores para a eficiência energética, o conforto e a sustentabilidade”.
A Concreta 2026 pretende afirmar-se como o principal ponto de encontro dos profissionais da arquitetura, construção, engenharia e design em Portugal. Esperamos uma edição particularmente dinâmica, com um crescimento da participação de empresas expositoras e um reforço da qualidade do visitante profissional, mantendo o perfil altamente qualificado que caracteriza este certame.
A internacionalização será uma dimensão estratégica desta edição. Pretendemos reforçar a presença de empresas estrangeiras e aumentar a participação de prescritores, arquitetos, engenheiros, investidores e compradores internacionais, transformando a feira numa plataforma privilegiada para a promoção da indústria portuguesa, para o estabelecimento de parcerias e para a abertura de novos mercados.
Mais do que uma exposição comercial, a Concreta é um espaço onde se encontram quem projeta, quem fabrica, quem constrói e quem decide, criando condições para gerar negócios, conhecimento e inovação.
O setor atravessa uma transformação profunda e a Concreta procurará refletir essa realidade. A construção colaborativa será o grande eixo conceptual da edição de 2026, promovendo uma maior integração entre arquitetos, engenheiros, fabricantes, empreiteiros, promotores e entidades públicas.
A descarbonização do ambiente construído será igualmente um dos temas centrais, abordando não apenas a eficiência energética dos edifícios, mas também o carbono incorporado nos materiais, a reutilização de recursos, a economia circular e a avaliação do ciclo de vida das construções.
Paralelamente, ganharão destaque a industrialização da construção, a digitalização dos processos através do BIM [Building Information Modelling], a Inteligência Artificial, a automação, os novos materiais de baixo impacto ambiental e as soluções tecnológicas capazes de aumentar a produtividade e reduzir desperdícios.
Estas tendências traduzem a evolução de um setor que procura construir melhor, com menor impacto ambiental, maior eficiência e maior capacidade de resposta às exigências atuais do mercado.
A envolvente do edifício é hoje um dos principais fatores para a eficiência energética, o conforto e a sustentabilidade. Os visitantes encontrarão soluções inovadoras ao nível de fachadas ventiladas, caixilharias de elevado desempenho térmico, vidros inteligentes, sistemas de proteção solar, materiais recicláveis, novos isolamentos e soluções industrializadas que melhoram simultaneamente a eficiência energética e a qualidade construtiva.
Será também uma oportunidade para conhecer produtos desenvolvidos com menor pegada de carbono e soluções que respondem às novas exigências regulamentares e ambientais.
A indústria portuguesa tem demonstrado uma enorme capacidade de adaptação e inovação. Muitas empresas já investem em investigação, certificação ambiental, novos materiais e processos produtivos mais eficientes.
Naturalmente, continuam a existir desafios, sobretudo ao nível dos custos de investimento, da adaptação regulamentar e da qualificação dos recursos humanos. É precisamente aqui que a Concreta assume um papel relevante: aproximando fabricantes, projetistas, universidades, centros tecnológicos e utilizadores finais, promovendo a divulgação das melhores práticas e acelerando a adoção de soluções mais sustentáveis.
Estas tecnologias estarão claramente representadas. A digitalização já deixou de ser uma tendência para passar a constituir uma necessidade competitiva. Os visitantes poderão contactar com soluções BIM, plataformas digitais de gestão integrada de projeto, processos de pré-fabricação, construção modular e automação, que permitem reduzir erros, otimizar custos e melhorar a coordenação entre todos os intervenientes.
A própria filosofia da construção colaborativa assenta precisamente nesta integração digital entre projeto, fabrico e execução.
Os fabricantes assumem hoje um papel determinante na transformação do setor. Através da inovação tecnológica, da industrialização dos processos produtivos e do desenvolvimento de sistemas cada vez mais eficientes, conseguem reduzir tempos de obra, aumentar a qualidade, diminuir desperdícios e responder à escassez de mão de obra especializada.
Além disso, produtos com maior durabilidade, melhor desempenho energético e menor impacto ambiental contribuem diretamente para edifícios mais sustentáveis e economicamente mais eficientes ao longo de todo o seu ciclo de vida.
A Concreta 2026 pretende afirmar-se como muito mais do que uma feira. Queremos que seja uma plataforma de reflexão, conhecimento, inovação e negócio, capaz de antecipar o futuro da construção em Portugal.
O tema da construção colaborativa traduz uma mudança de paradigma. Os grandes desafios do setor — sustentabilidade, habitação, produtividade, digitalização, industrialização ou descarbonização — dificilmente poderão ser resolvidos por empresas ou especialidades a trabalhar isoladamente. Exigem cooperação, partilha de conhecimento e integração entre todos os agentes da cadeia de valor.
Por isso, reforçámos significativamente a componente de conteúdos técnicos, com conferências, debates, demonstrações, apresentação de casos de estudo, projetos inovadores e iniciativas como o Prémio Concreta UNDER 40, que continua a distinguir o talento das novas gerações de arquitetos. Paralelamente, a feira contará com zonas de experimentação, espaços dedicados à inovação e às startups e momentos de networking que aproximam fabricantes, projetistas, construtores, investidores e decisores.
A própria organização procurará ser coerente com os princípios que promove. Algumas opções expositivas adotadas nesta edição refletem uma preocupação efetiva com a redução do impacto ambiental do evento, demonstrando que a sustentabilidade não é apenas um tema de debate, mas também uma prática que queremos incorporar na organização da feira.
Estamos convencidos de que a Concreta 2026 será uma edição particularmente relevante para o setor, reunindo conhecimento, inovação, oportunidades de negócio e uma forte participação dos profissionais que estão a transformar a forma como se projeta, constrói e gere o ambiente edificado.






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