69 PERFIL CONSTRUÇÃO PASSIVHAUS questão essencial para o setor português: o que é necessário mudar na forma de projetar, construir e promover para que o elevado desempenho possa ser replicado em empreendimentos de maior dimensão? A experiência do Grupo LOBE será também uma oportunidade para perceber como a Passive House pode ser integrada numa estratégia empresarial e não apenas tratada como uma opção isolada de projeto. Michael Ingui será outro dos nomes centrais da conferência. Arquiteto, fundador da Ingui Architecture e do Passive House Accelerator, traz a Aveiro a experiência dos Estados Unidos e uma abordagem que ultrapassa a dimensão estritamente técnica. No primeiro dia, a sua intervenção será dedicada à comunicação da Passive House. A sessão ‘Passive House sem complicações: como comunicar para chegar mais longe’ parte de uma constatação simples: princípios técnicos rigorosos não têm necessariamente de ser explicados de forma complexa. Para que o padrão chegue a mais clientes, promotores e decisores, é também necessário saber traduzir o seu valor numa mensagem clara e compreensível. No segundo dia, Michael Ingui regressa ao palco para apresentar projetos da Ingui Architecture em Nova Iorque. Em conjunto com Jesús Díaz, a sessão ‘Passive House em escala: projetos que mostram o caminho’ colocará frente a frente experiências dos Estados Unidos e de Espanha. Dois mercados diferentes, mas com um ponto de contacto: demonstrar que os princípios Passive House podem ser adaptados a diferentes tipologias e contextos sem perder os elementos fundamentais do conceito. A programação inclui uma discussão sobre os desafios e oportunidades para aumentar a presença da Passive House no mercado nacional, reunindo diferentes perspetivas ligadas à promoção imobiliária e à construção. A participação prevista de empresas do setor reforça a dimensão empresarial e construtiva do debate. A estrutura da 14.ª Conferência Passivhaus Portugal mantém uma forte componente prática. Nos dois dias de conferência, as sessões do Grande Auditório serão acompanhadas por workshops em simultâneo, permitindo aos participantes escolher entre diferentes projetos, soluções e temas técnicos. O programa oficial prevê workshops dedicados a casos como os 18 Apartamentos, a Casa em Mafra, a Casa Malveira da Serra e a Casa Carromeu, além de uma sessão dedicada ao Blower Door Test. Em cada espaço estarão presentes projetos e empresas de diferentes especialidades, criando uma ligação direta entre o caso de estudo e as soluções construtivas que permitem concretizá-lo. DAS EXPERIÊNCIAS INTERNACIONAIS ÀS SOLUÇÕES CONSTRUTIVAS A componente prática será complementada por uma área de exposição com mais de 60 marcas e por mais de 80 workshops, onde será possível conhecer soluções, acompanhar projetos e estabelecer contacto direto com empresas, projetistas, promotores e outros agentes ligados à construção e à eficiência dos edifícios. Haverá ainda momentos de networking, que completam uma programação pensada não apenas para assistir, mas também para trocar experiências e criar ligações profissionais. A conferência não termina, contudo, no dia 21. A 22 de outubro, o evento prolonga-se com um dia dedicado a visitas guiadas a Passive Houses certificadas ou em construção. Entre os locais previstos estão a Casa GE, em Vila Nova de Gaia; a Casa 58 e o nZEBoffice+, em Ílhavo; a sede da Danosa, em Pombal; e uma casa em Mafra. A diversidade geográfica e tipológica acrescenta outra dimensão ao programa e permite observar diferentes aplicações da abordagem Passive House. As visitas serão acompanhadas pelo dono de obra ou pelo Passive House Designer responsável pelo projeto. Ao longo de dois dias, a 14.ª Conferência Passivhaus Portugal vai, por isso, cruzar estratégia, casos de estudo, comunicação, soluções construtivas e experiências internacionais. A presença de especialistas dos Estados Unidos, Espanha e Portugal permite construir uma visão transversal sobre o momento atual da Passive House e, sobretudo, sobre os passos necessários para a sua expansão. A mensagem de fundo é clara: passar de excecional a essencial implica escala. Implica mostrar que o padrão pode responder a edifícios multifamiliares, unidades hoteleiras e outros projetos de maior dimensão; que pode ser integrado em estratégias empresariais; que existe conhecimento e capacidade para o aplicar; e que a discussão sobre custos e viabilidade económica tem de fazer parte da equação desde o início. Aveiro será, durante estes dias, o ponto de encontro para essa discussão. Entre o palco principal, os workshops, a exposição e as visitas técnicas, a 14.ª Conferência Passivhaus Portugal propõe um olhar simultaneamente internacional e muito concreto sobre o futuro da construção de elevado desempenho. Mais do que perguntar se a Passive House pode crescer, a edição de 2026 coloca outra questão: o que falta fazer para que esse crescimento aconteça em Portugal? A resposta começará a desenhar-se no Centro de Congressos de Aveiro, a 20 e 21 de outubro, e continuará dentro dos próprios edifícios no dia 22. Num setor pressionado pela necessidade de construir melhor, com maior eficiência e maior capacidade de resposta às condições futuras, a 14.ª Conferência Passivhaus Portugal chega com uma ambição bem definida: mostrar que o elevado desempenho não tem de ficar confinado à exceção. O desafio, agora, é fazê-lo chegar à escala. n A revista NovoPerfil é media partner da 14.ª Conferência Passivhaus Portugal.
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