Informação profissional sobre a Envolvente do Edifício
“Soluções como o Ferca CBX ou o Cupolex já utilizam materiais reciclados na sua produção”

Entrevista com Hugo Ornelas, CEO da Ferca

Ana Clara | Jornalista e Diretora29/06/2021

Hugo Ornelas, CEO da Ferca SA, analisa o impacto da pandemia no setor da Construção e fala dos desafios da empresa de engenharia no mercado português. O responsável aborda ainda algumas soluções da Ferca, a reciclabilidade dos materiais e fala do próximo desafio, que passa pelo lançamento de uma nova geração do sistema Cobiax, que será apresentado, em outubro, na Tektónica, em Lisboa.

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Fale-me um pouco da Ferca e do seu posicionamento empresarial no mercado português.

A Ferca é uma empresa de engenharia que reúne as valências de um gabinete de projetos na área das estruturas de betão armado com as de um fornecedor e instalador de sistemas que comercializa ao nível do aligeiramento de lajes e de sistemas de pré-esforço o que nos permite estar no mercado de uma forma bastante transversal, desde o hospital à moradia.

Que tipo de serviços prestam e que projetos mais emblemáticos destaca?

Desde a sua génese que a Ferca está ligada às lajes de betão armado, começou nos anos 70 com uma patente de blocos de betão leve para aligeiramento de lajes e foi evoluindo ao longo dos anos com soluções de blocos de EPS, de polipropileno, sistemas perdidos ou recuperáveis, até blocos de cartão se fizeram. Posteriormente, a empresa iniciou o estudo, comercialização e instalação de sistemas de pré-esforço focado no mercado dos edifícios que nos trouxe um conhecimento técnico muito específico que ainda hoje prevalece.

Esta ligação às lajes e aos vários aspetos do seu cálculo e execução resultou num know-how que o mercado foi reconhecendo e que, combinando com o nosso portefólio de soluções, permite ajudar os engenheiros a resolver desafios estruturais importantes.

Destacando dois projetos em curso, estamos a aplicar pré-esforço e moldes plásticos no EXEO, uma obra da HCI e do outo lado da Gare do Oriente também com pré-esforço estamos a participar no K-Tower para a Omatapalo, dois grandes projetos de escritórios que em breve estarão concluídos.

Posteriormente, a empresa iniciou o estudo, comercialização e instalação de sistemas de pré-esforço focado no mercado dos edifícios que nos trouxe um conhecimento técnico muito específico que ainda hoje prevalece

A Ferca tem a exclusividade da representação do sistema Cobiax em Portugal. Fale-me um pouco do Cobiax e que mais-valias ambientais contempla também?

O Cobiax, comercializado sobre a designação Ferca CBX, é uma solução que veio trazer, ao fim de muitos anos, uma inovação efetiva, que funciona, na área do aligeiramento de lajes, pela forma como permite simular o funcionamento de uma laje maciça, incorporando todas os benefícios inerentes a uma laje aligeirada as sua vantagens são evidentes ao nível da redução do peso, da redução da deformabilidade, na possibilidade de aumentar vãos ou reduzir espessuras, tudo efeitos relevantes e com impacto no resultado final do investimento quer do ponto de vista arquitetónico que económico.

Do ponto de vista ambiental, um aspeto que o setor tem vindo crescentemente a valorizar, a vantagem do sistema decorre essencialmente do fato de ser constituído por plástico nacional 100% reciclado, o que permite criar no fundo um mecanismo de economia circular reutilizando recursos existentes, não esquecendo que a sua utilização ao reduzir as necessidades de betão armado, reduz a necessidade de produção de cimento e o uso de recursos naturais como os inertes e a água.

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“Queremos manter uma empresa relevante no mercado que incorpore inovação, sustentabilidade e racionalização na construção”, diz Hugo Ornelas, CEO da Ferca.

Os materiais e a sua reciclabilidade

Os materiais e a sua reciclabilidade são, cada vez mais, aspetos importantes no setor da Construção. Como tem a Ferca também dado importância a esta questão?

Soluções como o Ferca CBX ou o Cupolex já utilizam materiais reciclados na sua produção e, como tal, já participam nesse esforço de reciclabilidade ao dar um novo e perene destino a materiais que a atividade económica rejeita. Um ponto que a nossa comunicação tem de focar mais.

Quais são os objetivos da empresa em Portugal e, além deste, em que mercados também estão presentes?

A Ferca está neste momento a reforçar a sua estrutura interna com a contratação de novos colaboradores e a investir na certificação da sua gestão de qualidade, o que nos permitirá crescer de forma mais estável. É fundamental preparar a organização para crescer mantendo os padrões que os nossos clientes estão habituados.

Os objetivos passam, essencialmente, por estabelecer novas parcerias para alargar o portefólio firmando a empresa em novas áreas de negócio no mercado nacional para além de continuarmos investidos da urgência de procurar novos mercados internacionais.

O grupo detém sociedades estabelecidas em Angola, Moçambique e Cabo Verde, mas à exceção deste último, a atividade é de momento bastante reduzida. À parte destes mercados existem, contudo, oportunidades noutras latitudes, por exemplo, estamos neste momento envolvidos na construção de um viaduto em Abidjan, na Costa do Marfim.

Que radiografia traça do setor da Construção e Engenharia em Portugal e que impactos teve a pandemia nestes setores?

Felizmente, nesta crise, o setor da Construção não se encontra entre os mais afetados, para quem atravessou a crise anterior não há comparação possível, e, nesta fase, pode-se dizer que o setor está a atravessar um excelente momento em termos de volume de trabalho, que se antevê possa continuar ainda por mais alguns anos. Veremos mais à frente se este bom momento se traduz na rentabilidade e no reforço da capacidade das empresas para enfrentar situações mais desafiantes que hão-de-vir.

A pandemia trouxe desafios na organização do trabalho que o mercado soube acolher mas, de momento, o maior desafio, que também resulta da pandemia, é a instabilidade e o aumento constante das matérias primas e, consequentemente, de todos os materiais envolvido no processo de construção, este facto acabará por ter impacto no valor final do produto e no equilíbrio do mercado.

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Obra CUF Tejo.

Quais são os desafios que se colocam a este mercado? As empresas estão preparadas para mudanças como a digitalização e a indústria 4.0?

Julgo que sim, o ambiente económico onde se movem as empresas do nosso setor é hoje significativamente distinto de há uns anos, toda a evolução ao nível dos agentes do mercado imobiliário, as exigências organizacionais que se impõem, a concorrência baseada na qualidade e inovação, são fatores que fizeram com que empresas do setor tenham evoluído para se adaptarem ao mercado. E depois temos as novas gerações que ingressam no mercado e que transportam consigo uma cultura digital que o setor também saberá aproveitar.

Que objetivos para este ano e próximos tem a Ferca?

O próximo desafio será o lançamento de uma nova geração do sistema Cobiax que vamos apresentar, em outubro, na Tektónica, e que juntamente com novas parcerias ainda em fase de negociação esperamos que nos permita manter uma empresa relevante no mercado que incorpore inovação, sustentabilidade e racionalização na construção.

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