BJ30 - Novoperfil Portugal

OPINIÃO | TECNOLOGIA BIM 36 PERFIL A construção está hoje sujeita a uma pressão crescente para responder melhor, mais depressa e com maior previsibilidade. Exige-se maior eficiência energética, melhor desempenho ambiental, maior controlo de custos, menos erro em obra e decisões técnicas mais bem fundamentadas desde as fases iniciais. Neste cenário, a digitalização deixou de ser apenas um sinal de modernização para passar a ser uma condição prática de competitividade. É precisamente neste ponto que a envolvente do edifício ganha particular relevância. Fachadas, sistemas de sombreamento, caixilharias, isolamento e restantes componentes da pele do edifício influenciam de forma decisiva o consumo energético, o conforto térmico, a durabilidade e, em última análise, a qualidade do ativo construído. A capacidade de estudar estas soluções com maior rigor, ainda antes da obra, tornou-se por isso um fator real de diferenciação para gabinetes de arquitetura, projetistas e equipas de engenharia. É precisamente aqui que o BIM ganha relevância. A sua utilidade não está apenas na representação tridimensional, mas na possibilidade de testar soluções, comparar alternativas e apoiar decisões antes da execução. Na prática, permite antecipar comportamentos, cruzar critérios de desempenho e reduzir a margem de erro em escolhas que, durante demasiado tempo, foram validadas tarde demais. Na análise da envolvente, isso traduz-se em avaliações mais consistentes ao nível do sombreamento, do desempenho energético e do conforto térmico, com impacto direto na qualidade do projeto. Contudo, o verdadeiro valor do BIM não termina na capacidade de modelar. O que o torna particularmente relevante é a forma como organiza e torna utilizável a informação técnica associada aos vários elementos construtivos. A qualidade dos objetos BIM – ao nível da parametrização, da consistência da informação, da normalização e da interoperabilidade – é determinante para garantir análises fiáveis e uma base informacional coerente ao longo do ciclo de vida do edifício. No caso da envolvente, isso significa incorporar dados sobre materiais, comportamento térmico, propriedades técnicas e desempenho esperado, de modo estruturado e reutilizável. Esta continuidade da informação é o que permite que o valor do BIM ultrapasse a fase de projeto e construção. Quando o modelo deixa de servir apenas para conceber e passa também a suportar a exploração do ativo, entra-se num novo patamar de maturidade digital. É neste ponto que surgem os Gémeos Digitais, assentes em modelos BIM e alimentados por dados reais, capazes de refletir o comportamento do edifício ao longo do tempo. O estado-da-arte da tecnologia BIM aplicada à envolvente do edifício em Portugal Luís Sanhudo, head of Digital Transformation do BUILT CoLAB

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