OPINIÃO | TECNOLOGIA BIM 37 PERFIL Aplicado à envolvente, este salto é particularmente relevante. Em vez de se trabalhar apenas com pressupostos de projeto, passa a ser possível relacionar o modelo com condições reais de operação, monitorizar desempenho, avaliar desvios, simular cenários e apoiar decisões de manutenção, adaptação ou otimização. O edifício deixa, assim, de ser visto como uma realidade estática após a obra concluída e passa a ser entendido como um sistema vivo, cuja performance pode ser acompanhada e melhorada de forma contínua. É precisamente nesta visão que o BUILT CoLAB tem vindo a trabalhar. O desenvolvimento de plataformas de Digital Twin com capacidade de simulação permite estender o uso do modelo para além da fase de conceção, criando condições para uma gestão mais informada, mais dinâmica e mais próxima do comportamento real do ativo. Esta evolução é relevante não apenas do ponto de vista tecnológico, mas sobretudo do ponto de vista da decisão: em vez de reagir a problemas já instalados, torna-se possível antecipar comportamentos, comparar opções e agir de forma mais preditiva. A integração de inteligência artificial reforça mais ainda este potencial. Durante anos, muitas análises de desempenho dependeram de simuladores físicos ou de processos computacionais exigentes, tecnicamente robustos, mas lentos, caros e pouco compatíveis com ritmos de decisão mais ágeis. Esses métodos continuam a ter o seu lugar, sobretudo quando é necessária validação aprofundada. No entanto, a utilização de modelos baseados em IA permite hoje acelerar significativamente a exploração de cenários, produzir estimativas rápidas e apoiar decisões preliminares com um nível de robustez cada vez mais relevante para a prática. O ponto essencial não é substituir cegamente os métodos tradicionais, mas reorganizar a forma como são usados. A inteligência artificial pode reduzir o tempo necessário para testar hipóteses, filtrar alternativas e concentrar os recursos de simulação detalhada onde eles realmente acrescentam valor. Isso permite encurtar ciclos de decisão, reduzir custos de análise e aumentar a capacidade de interação em projeto – algo particularmente importante quando se trabalha sobre a envolvente, onde pequenas alterações podem ter efeitos muito significativos no comportamento do edifício.
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