BJ30 - Novoperfil Portugal

OPINIÃO | TECNOLOGIA BIM 38 PERFIL Este avanço tem também uma consequência importante: a redução do custo de entrada no acesso a este tipo de serviços. Durante muito tempo, o uso de BIM ‘avançado’, de simulação de desempenho ou de plataformas mais sofisticadas de apoio à decisão esteve concentrado em organizações com maior capacidade financeira e técnica. Hoje, a evolução das soluções cloud, a flexibilização dos modelos de licenciamento, a crescente maturidade dos ecossistemas digitais e a disseminação de competências estão a tornar estas ferramentas mais acessíveis. Esta democratização é crítica para que a transformação digital não fique limitada a um pequeno grupo de atores. Em Portugal, o debate sobre o BIM entrou também numa fase mais concreta. Em setembro de 2025, o Conselho de Ministros aprovou a Estratégia Nacional para a Implementação da Metodologia BIM – PortugalBIM. A nível europeu, a contratação pública continua a ser um dos principais motores desta evolução: a Diretiva 2014/24/UE promove a utilização de BIM em projetos de construção, e a própria Comissão Europeia tem vindo a sublinhar que a adoção entre Estados-Membros continua desigual e dependente de estratégias, normas, capacitação e roteiros nacionais consistentes. Em bom rigor, mais do que uma obrigatoriedade uniforme já consolidada, o que existe hoje é um movimento claro de institucionalização e aceleração da adoção. Este ponto é importante porque ajuda a recentrar a discussão. O desafio já não está em provar que o BIM tem utilidade. Esse debate está, em larga medida, ultrapassado. O verdadeiro desafio está em garantir qualidade da informação, interoperabilidade entre plataformas, capacitação de equipas e modelos de adoção que criem valor real em vez de mera conformidade formal. O risco, como em qualquer processo de transição, é transformar uma ferramenta estratégica numa exigência burocrática sem impacto efetivo. No caso da envolvente do edifício, isso seria particularmente redutor. Estamos a falar de uma área onde a integração entre projeto, desempenho, operação e sustentabilidade pode ser profundamente beneficiada por uma abordagem baseada em dados. O BIM, quando articulado com Gémeos Digitais e com inteligência artificial, permite aproximar o processo de decisão da realidade do edifício e reduzir o desfasamento entre o que se projeta, o que se constrói e o que efetivamente acontece em uso. É por isso que o estado-da-arte não deve ser lido apenas como um retrato da maturidade atual do setor, mas como um sinal de mudança de paradigma. A aplicação do BIM à envolvente do edifício já não se limita à produção de modelos mais completos ou visualmente mais apelativos. O que está em causa é uma nova forma de pensar o desempenho, de estruturar a informação e de apoiar decisões ao longo de todo o ciclo de vida. A diferença, daqui para a frente, será cada vez menos entre quem usa BIM e quem não usa, e cada vez mais entre quem o usa apenas para modelar e quem o usa verdadeiramente para decidir. n Plataforma de Digital Twin desenvolvida pelo BUILT CoLAB.

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